14/05/2019
Santander coloca em risco segurança de bancários e clientes. Sindicato intervém

O Santander tem se transformado em banco líder em insegurança e desconforto para funcionários e clientes. Com a alteração unilateral do projeto para suas agências, o banco pretende retirar as portas giratórias de todas as suas unidades, expondo funcionários e clientes a sérios riscos de violência.
A medida faz parte de um pacote de mudanças a serem implementadas nas agências nos próximos meses, que conta ainda com a substituição da figura do caixa humano, empurrando para o autoatendimento clientes que costumam pagar suas contas na boca do caixa.
O anúncio veio através do presidente do Santander Brasil, Sergio Rial, em entrevista concedida ao jornal O Estado de São Paulo no dia 5 de maio, por meio de um discurso de que as pessoas devem se “reabilitar a um mundo diferente”, de que o consumidor precisa “desconstruir” a necessidade de ser atendido por pessoas, em agências físicas.
Para o diretor do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região, Luiz Eduardo Campolungo, a declaração de Rial sobre a redução de caixas físicos vem ao encontro de seu posicionamento frente a outras iniciativas que atacam diretamente o direito dos trabalhadores, como a já aprovada reforma trabalhista, a lei da terceirização e, agora, o projeto de reforma da Previdência.
"Hoje, o Santander é um dos bancos com a maior fonte de lucro em todo o mundo. E é no Brasil que possui a maior fatia do seu lucro mundial, cerca de 29%. É aqui também, contraditoriamente, que o banco tem implantado políticas de gestão que precarizam as condições de trabalho para seus funcionários e compromete o atendimento ao cliente", critica o diretor.
Eduardo avalia que, com as medidas, o banco ignora seu papel social e, mais uma vez, demonstra o quanto está interessado apenas em aumentar sua lucratividade, ainda que seja em detrimento dos trabalhadores.
“O lucro líquido gerencial do Santander alcançou R$ 3,485 bilhões no primeiro trimestre de 2019, expansão de 22% em relação ao mesmo período do ano passado. A filial brasileira encerrou o primeiro trimestre com 48.232 funcionários, o que representa um fechamento de 623 postos de trabalho quando comparado ao mesmo período de 2018, denuncia o diretor.
Mesmo apresentando uma alta lucratividade no Brasil, o descaso do Santander com bancários e com seus clientes colocou o banco no topo do ranking de reclamações do Banco Central no primeiro trimestre deste ano.
De acordo com o dirigente sindical, a liderança não foi surpresa, visto os rumos decididos pela atual gestão do Santander, que inclui a redução de custos nos ambientes de trabalho e a precarização das condições de trabalho. A transferência dos correntistas das agências físicas para as digitais, especialmente dos clientes que possuem faixa de renda até R$ 4 mil, também impacta nas reclamações.
Parte dessas mudanças já começaram a ocorrer em algumas das unidades do banco lotadas na base territorial do Sindicato. A agência do Santander localizada em Ibitinga, por exemplo, deu início, na última semana, às obras para reestruturação do local que receberão novos caixas eletrônicos. A unidade também está na fila para a retirada da porta giratória.
Eduardo destaca que a medida não foi negociada com os representantes dos trabalhadores, que por sua vez reivindica que o banco recue da decisão. “Preocupados com a segurança de funcionários, clientes e da população que utiliza os serviços bancários, o Sindicato já tem tomado medidas legais que cobrem do Santander o cumprimento do acordo coletivo e das leis municipais”, explica.
Com o apoio do vereador Marco Antônio da Fonseca, foram protocolados na Câmara Municipal uma Moção de Apelo e Repúdio à medida anunciada pelo Santander, bem como um Requerimento de Cumprimento da Lei nº 4.475, de 4 de setembro de 2017, que garante a obrigatoriedade das portas giratórias detectoras de metais nas agências da cidade, e uma Moção de Conhecimento externando a preocupação do legislativo e dos dirigentes sindicais sobre a retirada do dispositivo de segurança em virtude da alteração das leis pertinentes ao porte de arma, haja vista que mais pessoas terão direito a portar armas, facilitando a ação de bandidos, que podem se apropriar desta oportunidade para prática de ilícitos.
"A decisão do Santander em retirar as portas giratórias fragiliza o ambiente de trabalho. A atividade bancária é regulamentada e existem normas de segurança. Não podemos aceitar essa alteração, que representa ameaça à vida de clientes, usuários e funcionários. A porta de segurança já foi uma conquista dos bancários, porque dificulta a entrada de objetos metálicos que eventualmente poderiam ser transformados em armas para possíveis assaltos. Nada justifica essa recusa do Santander e já estamos tomando todas as medidas cabíveis para evitar mais um desrespeito do banco com seus trabalhadores”, conclui o diretor.
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