13/11/2018
Fim do Ministério do Trabalho põe em risco direitos e fiscalização

Durante a campanha eleitoral, o então candidato do PSL afirmou por diversas vezes que o trabalhador teria de decidir “se quer menos direitos e emprego ou direitos sem emprego''. A extinção do Ministério do Trabalho, anunciada por ele na quarta-feira (7), é um dos passos do futuro governo neste sentido. Para o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), o bancário Vagner Freitas, a medida significa acabar com os direitos que eram intermediados pela pasta.
“Não vamos ter com quem discutir a valorização do salário mínimo, a manutenção da sua aposentadoria, do seu fundo de garantia, suas férias. Significa que ele vai fazer o que prometeu: acabar com a carteira assinada e acabar com seus direitos”, disse o dirigente em vídeo endereçado aos trabalhadores (veja abaixo).
“Está em risco o que sobrou de seus direitos depois que o Temer fez a reforma trabalhista. É um desrespeito pelo mundo do trabalho e pelo trabalhador”, acrescentou Vagner Freitas.
O dirigente diz ainda que a medida será combatida pela central e sindicatos, e conclama os trabalhadores a se mobilizarem. Na quinta-feira (8), servidores federais protestaram em Brasília e realizaram um abraço simbólico ao prédio do ministério.
Sem fiscalização
Em artigo, o jornalista Leonardo Sakamoto, que é conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão, chama atenção para os prejuízos na já debilitada fiscalização do cumprimento das leis trabalhistas. Ele ressalta que, dentre as funções do ministério, essa seria a área de atuação mais sensível à mudança.
“O novo governo vai garantir apoio e recursos para que a fiscalização continue checando as condições de saúde, segurança e dignidade dos trabalhadores, corrigindo os problemas e autuando os responsáveis ou será desidratada para atender às demandas por ‘flexibilização’ de setores econômicos e empresários que apoiaram a candidatura vencedora?”, questiona o jornalista em seu blog.
Sakamoto lembra que durante a campanha, o então candidato a presidente o criticou o enfrentamento ao trabalho escravo. E que o presidente da União Democrática Ruralista (UDR), um dos principais conselheiros do futuro presidente, também criticou, durante a campanha, o que chamou de ''indústria da multa em cima de posições ideológicas e políticas''. O jornalista também destaca que a bancada ruralista no Congresso costuma criticar a fiscalização, reivindicando mudanças na Norma Regulamentadora 31, que trata de saúde e segurança no trabalho no campo.
A decisão do futuro presidente, portanto, parece atender aos interesses dos patrões, em prejuízo dos empregados, dentre os quais estão boa parte de seus eleitores.
Prejuízos
Sakamoto destaca ainda que a Argentina também extinguiu a pasta e a consequência foi o aumento do número de conflitos no mundo do trabalho. “Com medo de que nos tornássemos uma Venezuela, vamos nos aproximando da Argentina, no trato dos conflitos do trabalho, e do México, em termos de violência urbana. Não por coincidência, ambos os países ilustram experiências recentes de desregulamentação das relações de trabalho”, diz o jornalista.
Ele aponta ainda consequências desastrosas para a economia, por conta de restrições de outros países aos produtos fabricados no Brasil: “Da mesma forma que acontece com o meio ambiente, importadores e investidores estrangeiros não titubeariam em ameaçar com barreiras comerciais não-tarifárias caso o Brasil descuidasse do combate ao trabalho escravo e infantil, por exemplo. (...) Se o país não se atentar a isso, e enfraquecer a fiscalização, perderá dinheiro.”
Funções do ministério
Em seu artigo, o jornalista enumera as funções do Ministério do Trabalho. Além de fiscalizar, a pasta também coordena as políticas de geração de emprego e renda, viabiliza o acesso a serviços e benefícios (como o registro profissional, o seguro-desemprego, abono salarial e a emissão de carteira de trabalho), media a relação entre empregadores nacionais e trabalhadores estrangeiros, preside o conselho do FGTS e gere o Fundo de Amparo ao Trabalhador.
Com a medida, “está em risco o que sobrou de seus direitos depois que o Temer fez a reforma trabalhista. É um desrespeito pelo mundo do trabalho e pelo trabalhador”, reforça o presidente da CUT, Vagner Freitas.
Contraf-CUT repudia anúncio de extinção do Ministério do Trabalho
O anúncio feito pelo presidente eleito provocou enorme indignação pelas entidades representativas dos trabalhadores e afins. Em notas, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Procuradoria Geral do Trabalho (PGR), a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), o Colégio de Presidentes e Corregedores dos Tribunais Regionais do Trabalho (Coleprecor), a Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho (ANPT), a Associação Brasileira dos Advogados Trabalhistas (Abrat) externaram sua indignação sobre a proposta que desrespeita a classe trabalhadora.
A presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira, apoia a nota e manifestou a sua discordância e preocupação com o anúncio de extinção da pasta. “Se a medida for concretizada trará enormes prejuízos à classe trabalhadora, que já foi enormemente prejudicada pela reforma trabalhista”, disse.
> Clique aqui e leia a nota da Contraf-CUT na íntegra
“Não vamos ter com quem discutir a valorização do salário mínimo, a manutenção da sua aposentadoria, do seu fundo de garantia, suas férias. Significa que ele vai fazer o que prometeu: acabar com a carteira assinada e acabar com seus direitos”, disse o dirigente em vídeo endereçado aos trabalhadores (veja abaixo).
“Está em risco o que sobrou de seus direitos depois que o Temer fez a reforma trabalhista. É um desrespeito pelo mundo do trabalho e pelo trabalhador”, acrescentou Vagner Freitas.
O dirigente diz ainda que a medida será combatida pela central e sindicatos, e conclama os trabalhadores a se mobilizarem. Na quinta-feira (8), servidores federais protestaram em Brasília e realizaram um abraço simbólico ao prédio do ministério.
Sem fiscalização
Em artigo, o jornalista Leonardo Sakamoto, que é conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão, chama atenção para os prejuízos na já debilitada fiscalização do cumprimento das leis trabalhistas. Ele ressalta que, dentre as funções do ministério, essa seria a área de atuação mais sensível à mudança.
“O novo governo vai garantir apoio e recursos para que a fiscalização continue checando as condições de saúde, segurança e dignidade dos trabalhadores, corrigindo os problemas e autuando os responsáveis ou será desidratada para atender às demandas por ‘flexibilização’ de setores econômicos e empresários que apoiaram a candidatura vencedora?”, questiona o jornalista em seu blog.
Sakamoto lembra que durante a campanha, o então candidato a presidente o criticou o enfrentamento ao trabalho escravo. E que o presidente da União Democrática Ruralista (UDR), um dos principais conselheiros do futuro presidente, também criticou, durante a campanha, o que chamou de ''indústria da multa em cima de posições ideológicas e políticas''. O jornalista também destaca que a bancada ruralista no Congresso costuma criticar a fiscalização, reivindicando mudanças na Norma Regulamentadora 31, que trata de saúde e segurança no trabalho no campo.
A decisão do futuro presidente, portanto, parece atender aos interesses dos patrões, em prejuízo dos empregados, dentre os quais estão boa parte de seus eleitores.
Prejuízos
Sakamoto destaca ainda que a Argentina também extinguiu a pasta e a consequência foi o aumento do número de conflitos no mundo do trabalho. “Com medo de que nos tornássemos uma Venezuela, vamos nos aproximando da Argentina, no trato dos conflitos do trabalho, e do México, em termos de violência urbana. Não por coincidência, ambos os países ilustram experiências recentes de desregulamentação das relações de trabalho”, diz o jornalista.
Ele aponta ainda consequências desastrosas para a economia, por conta de restrições de outros países aos produtos fabricados no Brasil: “Da mesma forma que acontece com o meio ambiente, importadores e investidores estrangeiros não titubeariam em ameaçar com barreiras comerciais não-tarifárias caso o Brasil descuidasse do combate ao trabalho escravo e infantil, por exemplo. (...) Se o país não se atentar a isso, e enfraquecer a fiscalização, perderá dinheiro.”
Funções do ministério
Em seu artigo, o jornalista enumera as funções do Ministério do Trabalho. Além de fiscalizar, a pasta também coordena as políticas de geração de emprego e renda, viabiliza o acesso a serviços e benefícios (como o registro profissional, o seguro-desemprego, abono salarial e a emissão de carteira de trabalho), media a relação entre empregadores nacionais e trabalhadores estrangeiros, preside o conselho do FGTS e gere o Fundo de Amparo ao Trabalhador.
Com a medida, “está em risco o que sobrou de seus direitos depois que o Temer fez a reforma trabalhista. É um desrespeito pelo mundo do trabalho e pelo trabalhador”, reforça o presidente da CUT, Vagner Freitas.
Contraf-CUT repudia anúncio de extinção do Ministério do Trabalho
O anúncio feito pelo presidente eleito provocou enorme indignação pelas entidades representativas dos trabalhadores e afins. Em notas, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Procuradoria Geral do Trabalho (PGR), a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), o Colégio de Presidentes e Corregedores dos Tribunais Regionais do Trabalho (Coleprecor), a Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho (ANPT), a Associação Brasileira dos Advogados Trabalhistas (Abrat) externaram sua indignação sobre a proposta que desrespeita a classe trabalhadora.
A presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira, apoia a nota e manifestou a sua discordância e preocupação com o anúncio de extinção da pasta. “Se a medida for concretizada trará enormes prejuízos à classe trabalhadora, que já foi enormemente prejudicada pela reforma trabalhista”, disse.
> Clique aqui e leia a nota da Contraf-CUT na íntegra
SINDICALIZE-SE
MAIS NOTÍCIAS
- Mercantil registra lucro de R$ 279,4 milhões no trimestre, valor considerado recorde em toda sua história
- Brasil é 55,5% negro, mas terá apenas 26% das cadeiras da Câmara em 2027
- Novembro Azul: informação, prevenção e combate ao preconceito salvam vidas
- Banco Central mantém Selic em 13,75% enquanto mercado financeiro faz pressão especulativa
- Itaú lucra R$ 37,3 bilhões, mas elimina 3.259 empregos e fecha 334 agências em um ano
- Santander: Assembleia virtual nesta sexta-feira (6) delibera sobre ACT e Acordo de PPRS
- Copom decide nesta quarta-feira (4) se reduz ou mantém Selic em 13,75% ao ano
- Sindicato entrega mais de 200 kg de alimentos ao projeto social Prateleira Solidária
- Novas regras do VA e VR ampliam opções de uso; bancários têm benefícios acima da média nacional
- Saúde Caixa começa a compartilhar rede credenciada com a Cassi nesta quarta-feira (4)
- Festa dos Bancários 2026 reúne categoria em dia de confraternização, premiações e solidariedade
- Brasil bate recorde de pessoas com trabalho desde 2012
- A eleição acabou, mas a participação continua: saiba quem e pelo que cobrar
- COE cobra avanços do Bradesco em PPR, banco de horas e condições de trabalho
- Negociação da Cassi avança com proposta de aporte de R$ 2,288 bilhões