08/06/2018
Trabalhadores discutem problemas do sistema financeiro e defesa dos direitos da categoria
Os funcionários do banco Santander no Brasil iniciaram na quinta-feira (7), em São Paulo, o encontro nacional para debater questões específicas do banco e levantar propostas para a pauta de reivindicações a serem apresentadas ao banco.
“Todos os anos a Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro) realiza um encontro nacional dos trabalhadores do Santander para discutirmos nossas pautas específicas. Neste ano, além de debatermos sobre os pontos do Acordo Coletivo de Trabalho, também vamos capacitar os dirigentes para o embate nas nossas bases sindicais sobre o que pode acontecer após o término de vigência da nossa CCT (Convenção Coletiva de Trabalho)” explicou Maria Rosani, coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander.
Adelmo Andrade, representante da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe (Feeb/BA-SE), destacou o momento difícil pelo qual passa a classe trabalhadora. “Estamos vendo uma série de ataques aos direitos trabalhistas. Estes ataques fazem parte de um golpe que está sendo dado em partes e uma das etapas é a destruição do movimento sindical. Temos que defender nossos direitos, mas também as organizações de representação dos trabalhadores”, disse.
Luiz Claudio Marcolino, diretor da Contraf-CUT e ex-deputado estadual, ressaltou a necessidade de a categoria se organizar ainda mais neste ano para enfrentar os ataques que estão em curso contra os trabalhadores e a democracia no país.
“Temos que conseguir mostrar para a categoria que existem projetos de sociedade diferentes em disputa. Mostrar que nossa vida piorou depois do golpe que derrubou a presidenta Dilma. Não apenas devido à mudança de governo, mas também porque está sendo implantado um sistema que tem como base as privatizações, a retirada de direitos trabalhistas, o achatamento dos salários e o aumento do desemprego para que as empresas tenham mais lucro”, disse o dirigente da Contraf-CUT. “Todos os direitos presentes em nossa CCT e no Acordo Coletivo do Santander foram conquistados com muita luta. Agora teremos novamente que lutarmos para mantê-los”, completou.
Durante o primeiro dia do Encontro, os bancários debateram sobre os problemas que afetam a categoria e especificamente os trabalhadores do banco, mas também toda a sociedade.
A economista Vivian Machado, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), fez uma análise do balanço do banco no primeiro trimestre de 2018. O banco obteve um lucro de R$ 2,6 bilhões no primeiro trimestre de 2018, um crescimento 25,4% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O Brasil é o responsável por 27% do lucro mundial do banco espanhol. É o país onde o banco obtém o maior lucro. Os altos lucros obtidos no Brasil, são resultados, entre outras coisas das altas taxas cobrados pelo banco de seus clientes brasileiros.
A informação foi citada pelo economista Ladislau Dowbor, que observou que a partir de uma certa taxa de juros, os empréstimos não servem para fomentar o desenvolvimento, mas sim para drenar a economia. “Se os bancos extraem mais do que aportam, são um peso. Isso se chama agiotagem. No Brasil, criamos um sistema de agiotagem”, disse o economista.
O assunto também foi lembrado pelo professor Moisés Marques, da Faculdade 28 de Agosto. “O Brasil é o país que mais rende lucro para a o Santander em todo o mundo. Se na crise que enfrentamos o Brasil é país que mais rende lucro para o banco, vocês podem ter certeza de que alguém está pagando”, afirmou.
Moisés fez uma apresentação sobre a Reforma Trabalhista e os Impactos no Santander e observou que, após a aprovação da reforma trabalhista, pela primeira vez na história recente do país, o número de trabalhadores precarizados, sem carteira assinada, ultrapassou o de trabalhadores com carteira assinada.
Prejuízos dos bancos à sociedade
Dowbor instigou os presentes ao afirmar que o movimento sindical, além de fazer a luta em defesa da categoria, deve questionar o papel dos bancos e alertar sobre os prejuízos que os bancos causam à sociedade.
“Todos nós queremos que nosso trabalho seja útil para a sociedade. Vocês bancários também querem trabalhar em uma instituição que contribua com o desenvolvimento econômico e social do país”, afirmou.
Dowbor disse ainda que todo mundo sabe o que funciona ou não funciona para desenvolver a economia, mas os interesses do capital financeiro não deixam que as coisas que funcionam sejam feitas no Brasil. “É preciso orientar o sistema financeiro para o bem-estar das famílias. É isso que funciona. O resto é encher o bolso de quem quer ganhar dinheiro com aplicações financeiras do dinheiro dos outros”.
Em sua explanação, a economista Ione Amorim, líder do programa de Serviços Financeiros do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), também falou sobre prejuízos que os bancos causam à sociedade. “Os estudos que os bancos faziam sobre suas responsabilidades sociais não levavam em conta o relacionamento com os consumidores. Somente passaram a conspirar este ponto após o questionamento que fizemos”, disse.
Ione citou ainda as vendas de pacotes de serviços que os bancários são obrigados a oferecer aos clientes. “Desde quando entrei no Idec é uma luta para mostrar ao consumidor que ele tem direito à conta bancária sem tarifa, mas os bancos sempre empurram um pacote de serviços com custo”.
Seminário
Mario Raia, secretário de Assuntos Socioeconômicos da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) afirmou que os Estados estão reféns do capital financeiro. “São meros arrecadadores. Temos que encontrar uma saída para esta questão, pois a solução para esse problema passa necessariamente pela categoria”, disse ao anunciar que a entidade vai realizar um seminário para debater os prejuízos do sistema financeiro para a sociedade. A data do seminário ainda não foi definida.
O assunto é tratado no livro A Era do Capital Improdutivo, de Ladislau Dowbor, disponível para download gratuito no site do economista.
Cabesp e Santander Previ
Ao final do dia, formou-se uma mesa exclusivamente para informes sobre a Cabesp (plano de saúde dos funcionários do antigo Banespa) e o Santander Previ.
O Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região é representado no evento pelo diretor da entidade, Aparecido Augusto Marcelo.
“Todos os anos a Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro) realiza um encontro nacional dos trabalhadores do Santander para discutirmos nossas pautas específicas. Neste ano, além de debatermos sobre os pontos do Acordo Coletivo de Trabalho, também vamos capacitar os dirigentes para o embate nas nossas bases sindicais sobre o que pode acontecer após o término de vigência da nossa CCT (Convenção Coletiva de Trabalho)” explicou Maria Rosani, coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander.
Adelmo Andrade, representante da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe (Feeb/BA-SE), destacou o momento difícil pelo qual passa a classe trabalhadora. “Estamos vendo uma série de ataques aos direitos trabalhistas. Estes ataques fazem parte de um golpe que está sendo dado em partes e uma das etapas é a destruição do movimento sindical. Temos que defender nossos direitos, mas também as organizações de representação dos trabalhadores”, disse.
Luiz Claudio Marcolino, diretor da Contraf-CUT e ex-deputado estadual, ressaltou a necessidade de a categoria se organizar ainda mais neste ano para enfrentar os ataques que estão em curso contra os trabalhadores e a democracia no país.
“Temos que conseguir mostrar para a categoria que existem projetos de sociedade diferentes em disputa. Mostrar que nossa vida piorou depois do golpe que derrubou a presidenta Dilma. Não apenas devido à mudança de governo, mas também porque está sendo implantado um sistema que tem como base as privatizações, a retirada de direitos trabalhistas, o achatamento dos salários e o aumento do desemprego para que as empresas tenham mais lucro”, disse o dirigente da Contraf-CUT. “Todos os direitos presentes em nossa CCT e no Acordo Coletivo do Santander foram conquistados com muita luta. Agora teremos novamente que lutarmos para mantê-los”, completou.
Durante o primeiro dia do Encontro, os bancários debateram sobre os problemas que afetam a categoria e especificamente os trabalhadores do banco, mas também toda a sociedade.
A economista Vivian Machado, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), fez uma análise do balanço do banco no primeiro trimestre de 2018. O banco obteve um lucro de R$ 2,6 bilhões no primeiro trimestre de 2018, um crescimento 25,4% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O Brasil é o responsável por 27% do lucro mundial do banco espanhol. É o país onde o banco obtém o maior lucro. Os altos lucros obtidos no Brasil, são resultados, entre outras coisas das altas taxas cobrados pelo banco de seus clientes brasileiros.
A informação foi citada pelo economista Ladislau Dowbor, que observou que a partir de uma certa taxa de juros, os empréstimos não servem para fomentar o desenvolvimento, mas sim para drenar a economia. “Se os bancos extraem mais do que aportam, são um peso. Isso se chama agiotagem. No Brasil, criamos um sistema de agiotagem”, disse o economista.
O assunto também foi lembrado pelo professor Moisés Marques, da Faculdade 28 de Agosto. “O Brasil é o país que mais rende lucro para a o Santander em todo o mundo. Se na crise que enfrentamos o Brasil é país que mais rende lucro para o banco, vocês podem ter certeza de que alguém está pagando”, afirmou.
Moisés fez uma apresentação sobre a Reforma Trabalhista e os Impactos no Santander e observou que, após a aprovação da reforma trabalhista, pela primeira vez na história recente do país, o número de trabalhadores precarizados, sem carteira assinada, ultrapassou o de trabalhadores com carteira assinada.
Prejuízos dos bancos à sociedade
Dowbor instigou os presentes ao afirmar que o movimento sindical, além de fazer a luta em defesa da categoria, deve questionar o papel dos bancos e alertar sobre os prejuízos que os bancos causam à sociedade.
“Todos nós queremos que nosso trabalho seja útil para a sociedade. Vocês bancários também querem trabalhar em uma instituição que contribua com o desenvolvimento econômico e social do país”, afirmou.
Dowbor disse ainda que todo mundo sabe o que funciona ou não funciona para desenvolver a economia, mas os interesses do capital financeiro não deixam que as coisas que funcionam sejam feitas no Brasil. “É preciso orientar o sistema financeiro para o bem-estar das famílias. É isso que funciona. O resto é encher o bolso de quem quer ganhar dinheiro com aplicações financeiras do dinheiro dos outros”.
Em sua explanação, a economista Ione Amorim, líder do programa de Serviços Financeiros do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), também falou sobre prejuízos que os bancos causam à sociedade. “Os estudos que os bancos faziam sobre suas responsabilidades sociais não levavam em conta o relacionamento com os consumidores. Somente passaram a conspirar este ponto após o questionamento que fizemos”, disse.
Ione citou ainda as vendas de pacotes de serviços que os bancários são obrigados a oferecer aos clientes. “Desde quando entrei no Idec é uma luta para mostrar ao consumidor que ele tem direito à conta bancária sem tarifa, mas os bancos sempre empurram um pacote de serviços com custo”.
Seminário
Mario Raia, secretário de Assuntos Socioeconômicos da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) afirmou que os Estados estão reféns do capital financeiro. “São meros arrecadadores. Temos que encontrar uma saída para esta questão, pois a solução para esse problema passa necessariamente pela categoria”, disse ao anunciar que a entidade vai realizar um seminário para debater os prejuízos do sistema financeiro para a sociedade. A data do seminário ainda não foi definida.
O assunto é tratado no livro A Era do Capital Improdutivo, de Ladislau Dowbor, disponível para download gratuito no site do economista.
Cabesp e Santander Previ
Ao final do dia, formou-se uma mesa exclusivamente para informes sobre a Cabesp (plano de saúde dos funcionários do antigo Banespa) e o Santander Previ.
O Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região é representado no evento pelo diretor da entidade, Aparecido Augusto Marcelo.
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