Premiação injusta ignora tempo de casa dos bancários. Movimento sindical cobra respeito
O Itaú mudou novamente, à revelia dos trabalhadores, o modo de premiação por tempo de casa. Depois de ter acabado com a festa anual, a entrega de ações e o relógio de ouro, agora o banco decidiu, unilateralmente, laurear somente os bancários que completam cinco anos de casa ou múltiplos de cinco. O anúncio foi feito no dia 19 e não é retroativo.
Assim, após os primeiros cinco anos, o trabalhador ganhará 5 mil pontos em milhas aéreas pela empresa Azul e um dia de folga. São 7.500 pontos para quem faz 10 anos; 10 mil para 15 anos; 12.500 para 20 anos; 15 mil para 25 anos, sempre com um dia de folga. Aqueles que chegam a 30 anos ou mais, receberão 200 mil pontos em milhas aéreas mais cinco dias de folga.
Os bancários que têm seis, 12, 21, 31 anos de empresa – ou seja, qualquer tempo que não seja múltiplo de cinco – estão reclamando muito.
Para o diretor do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região Carlos Alberto Moretto, o banco deveria promover um programa de remuneração que beneficiasse os bancários de maneira justa e clara, sobretudo, aqueles que se dedicaram anos à instituição, sem excluir nenhum trabalhador.
"Imagine trabalhar por mais de 10, 20 anos, por exemplo, e não ter seu trabalho reconhecido por causa de alguns meses ou porque a soma do tempo trabalhado não corresponde a múltiplos de 5? É um desrespeito! Reinvindicamos que o Itaú ouça mais seus funcionários e promova a devida valorização que merecem", finaliza o dirigente.
Outro agravante é a discriminação dos bancários com idade acima de 40 anos, que são considerados sem “brilho nos olhos” – palavras ditas por uma funcionária que não conseguia uma vaga de realocação porque seu PAB seria desativado. Há diversas denuncias de bancários e bancárias ao movimento sindical, reclamando que depois dessa idade as promoções são barradas e tudo fica mais difícil, já que são ameaçados de demissão o tempo todo.
A dirigente sindical e bancária do Itaú Valeska Pincovai acrescenta que a prática do banco é demitir os mais velhos de casa e substituí-los por mais novos quando ocorrem planos de redução de custos nas áreas.“O novo modelo de premiação é um cala boca para tentar mostrar como o banco é decente e valoriza seus funcionários e para evitar que os trabalhadores acionem a Justiça cobrando as ações que eram dadas”, afirma Valeska.
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