“Recálculo” de crédito imobiliário pode ser indício de terceirização no Banco do Brasil
O Banco do Brasil vem conduzindo estudos sobre os custos das operações das linhas de crédito imobiliário, entre elas o Minha Casa, Minha Vida, o SBPE/SFH (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo/Sistema Financeiro de Habitação) e o empréstimo imobiliário. O objetivo, segundo o banco, é analisar a lucratividade das operações, em busca de “eficiência operacional”.
Sempre que o banco fala em eficiência operacional, está pensando em cortar custos com mão de obra. A instituição já sabe que os custos administrativos dessas linhas de crédito são maiores que seus resultados. Mas, são operações com importante papel social para o país, e quando uma instituição pública deixa de atuar num determinado segmento, essa atuação passa a ser feita por bancos privados, com juros altos e prejuízos à população e à economia brasileiras.
A medida pode levar a perdas de função para os bancários que atuam nessas áreas e à terceirização, com contratação de outras empresas para cuidar dessas linhas de crédito. O BB já elogiou a lei da terceirização em reunião do Conselho Diretor. Falou novamente de eficiência operacional, ou seja, da redução do valor da folha de pagamento.
Mesmo que essas linhas de crédito não deem um grande retorno financeiro, no balanço final a instituição apresenta lucro. Apenas com a receita de tarifas e serviços bancários pagos pelos clientes, o banco cobre 115% de suas despesas de pessoal.
O BB vem passando por frequentes reestruturações, com saída de pessoal por meio de planos de aposentadoria, que afetam principalmente as áreas de atendimento. Só no ano passado, 9.980 funcionários se aposentaram. O balanço do primeiro trimestre de 2017 mostra que o banco extinguiu 9.900 postos de trabalho em 12 meses [março de 2016 a março de 2017].
Luta
Roberto Carlos Vicentim, presidente do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região, classifica a medida anunciada para as linhas de crédito como parte do desmonte que os bancos públicos vêm sofrendo, e ressalta que o Sindicato está alerta a essa e outras tantas medidas impostas pela direção do BB.
"O Banco do Brasil, assim como a Caixa e o BNDS, têm enfrentado sérios ataques, e o que está em risco são os nossos empregos. O momento deve ser de unidade e participação na luta em defesa dos bancos públicos. Mais do que as ameaças aos empregos bancários no BB, os ataques de Temer e sua base aliada no Congresso são também contra direitos trabalhistas previstos na CLT, contra o movimento sindical e de retirada do direito à aposentadoria."
O governo Temer está abalado desde que denúncias do dono da JBS vieram à tona, na noite de quarta-feira 17, e que podem inclusive levar à renúncia do ex-presidente. O Sindicato defende eleições gerais e diretas já.
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