Centrais Sindicais e Movimentos conclamam população para ir às ruas no dia 16
Centrais Sindicais, movimentos social e popular conclamam os brasileiros para irem às ruas no próximo dia 16 de dezembro, para defender a democracia, pedir a cassação do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, e mudanças na política econômica. Esses são os 3 pontos que unem as entidades que formam o bloco contra o retrocesso e por mais direitos: CUT, CTB, MST, MTST, UNE e CONEM.
O processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff foi aberto no último dia 2 por Cunha, no mesmo dia em que o PT anunciou que votaria pela admissibilidade do processo de cassação dele por quebra de decoro parlamentar - foi comprovado que o presidente da Câmara tem contas secretas na Suíça e ele mentiu numa seção da Casa negando ter essas contas.
“O impeachment sem base jurídica, motivada pelas razões oportunistas e revanchistas de Cunha, é GOLPE”, diz um trecho da convocatória unificada de mobilização para o Dia Nacional de Luta Contra o Impeachment, pela Cassação de Cunha e por Mudanças na Política Econômica, divulgada na coletiva desta quarta.
O presidente da CUT Nacional, Vagner Freitas, afirmou que o impeachment também significa retirada de direitos dos trabalhadores e destacou que Cunha, além de não ter legitimidade para encabeçar o processo contra a presidenta, representa retrocesso para o país. "O impeachment, além de ser cortina de fumaça para a população esquecer os crimes que ele cometeu, atenta contra a democracia, porque não há legalidade no processo. O que há é uma disputa política", denunciou.
Vagner também lembrou as pautas conservadoras do presidente da Câmara, como a redução da maioridade penal, a legalização da terceirização sem limites e o projeto que criminaliza as mulheres vítimas de violência sexual. "São pautas que só tiram direitos".
O coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, complementou dizendo que o movimento, que está organizando o ato para o dia 16, é contra o impeachment, mas nem por isso apoia as políticas do governo.
“Os mesmos movimentos organizados, que estão aqui, também estiveram durante todo o ano fazendo atos dizendo que são contra o ajuste fiscal, que a saída para a crise é taxar as grandes fortunas e da importância de se fazer as reformas estruturais”, explicou Boulos.
A secretária de Imprensa e Comunicação da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Raimunda Gomes também lembrou que todos devem ficar atentos as manobras de Cunha no processo de impeachment.
“A luta é no parlamento, no judiciário e com o povo na rua. O Cunha não tem moralidade política para encabeçar o processo e nem de continuar presidente da Câmara”, pontuou.
Edson Carneiro, o Índio, secretário-geral da Intersindical, disse, para os jornalistas e convidados presentes, que a luta é contra o retrocesso. “É o maior ataque contra a classe trabalhadora e temos que derrotá-lo. Também temos que pautar as principais reformas”.
Flávio Jorge da Silva, membro da direção da Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen), lembrou que o movimento negro lutou 500 anos para conseguir conquistas históricas e vê ameaça. “É só ver a composição da comissão para votar o impeachment, como os deputados Pastor Feliciano e Bolsonaro, símbolos do fascismo e do conservadorismo, pregam a intolerância, o racismo e o ódio”.
A presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Carina Vitral, recordou a luta da entidade no movimento ‘Fora Collor’ e fez questão de dizer as diferenças com o momento atual. “Foi comprovado que a mulher de Collor tinha dinheiro ilícito em sua conta e fatos, que não deixavam dúvidas sobre seu envolvimento em corrupção, foram comprovados. Isto deu legalidade para o processo de impeachment, muito diferente de agora.”, explicou.
Gilmar Mauro, coordenador do Movimento Sem Terra (MST), lembrou que o ato acontecerá em várias capitais brasileiras. “Não estamos conclamando somente os movimentos sociais, mas também os democratas, progressistas e os que querem impedir o golpe”, disse.
“Independente das diferenças ideológicas de cada movimento envolvido neste ato, não somos covardes e vamos para rua defender a continuidade do projeto popular, combater a política econômica e mobilizar por reformas estruturantes, principalmente a reforma política que é necessária e urgente”, finalizou.
Vagner pontuou que a representação dos movimentos sociais que estão unidos para enfrentar este momento é a maior unidade da esquerda brasileira desde o impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello. “Todos os segmentos da esquerda brasileira contemporânea estão unidos e unificados em torno dos três eixos e isso demostra a gravidade do momento político do Brasil, mas também demonstra o amadurecimento da esquerda”, finalizou.
Pressão
A Contraf-CUT orienta federações e sindicatos a intensificarem a pressão sobre os deputados federais, especialmente sobre os que estão se posicionando a favor do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, tentando dar um golpe travestido de manobra legal. “O momento é estratégico, a democracia e os direitos dos trabalhadores estão em risco”, alerta Roberto von der Osten, presidente da Contraf-CUT.
“A oposição, que pretende “salvar” o Brasil, é a mesma que vem votando no Congresso Nacional leis contra os trabalhadores, como o projeto da terceirização, leis de redução da maioridade penal, leis que privatizam as empresas estatais, que entregam o patrimônio do povo, leis que criminalizam os movimentos sociais, leis homofóbicas e que confundem o estado laico com desejos fundamentalistas. Este é o povo que quer governar o Brasil”, destaca Roberto von der Osten.
A orientação é que todos os dirigentes sindicais mobilizem suas bases para enviarem mensagens aos deputados contra o impeachment e em defesa dos trabalhadores.
“Estamos participando de frentes e movimentos que defendem o lado dos trabalhadores. E articulando todos nossos Sindicatos e Federações para somar à frente que pretende manter o projeto dos trabalhadores no poder. Convocamos para que participem, junto com a CUT, outras Centrais Sindicais e movimentos sociais, da agenda de lutas em defesa da democracia e da retomada do desenvolvimento inclusivo e soberano”, reforça o presidente da Contraf-CUT.
Confira aqui a lista com e-mail, telefone e Estado dos deputados federais.
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