16/10/2015

Bancários firmes e fortes no 11º dia de greve



Onze dias de greve e nada de os bancos se mexerem. Se acham que vão vencer os bancários pelo cansaço, estão enganados. Cada vez mais trabalhadores participam da mobilização em todo o Brasil, uma das maiores da categoria nos últimos anos. E assim está essa sexta-feira 16.
 
“A Fenaban não faz nova proposta há 20 dias. Após um mês de negociações com o Comando Nacional dos Bancários, no dia 25 de setembro apresentaram índice de reajuste para a categoria com perda real de 4%. Levaram os trabalhadores a essa forte greve”, afirma Juvandia Moreira, uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários.

“Estamos prontos a negociar, mas com seriedade: proposta tem de ter reajuste digno para os salários. Os bancos estão lucrando como sempre, podem pagar.”
 
Em todo o Brasil, 11.818 agências e 44 centros administrativos paralisaram suas atividades. Na região de Catanduva, de acordo com levantamento feito pelo Sindicato dos Bancários, são 70 unidades com as portas fechadas. Na cidade, todos os bancos públicos e privados suspenderam suas atividades desde o dia 6.
 
“Os banqueiros mexeram num vespeiro. Todos os bancários estão revoltados. Os bancos apresentaram a pior proposta dos últimos anos, em total descaso com a categoria, num momento em que eles têm lucros nas alturas”, enfatiza Paulo Franco, presidente do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região.
 
O reajuste proposto pela Fenaban impõe perdas de 4%, não só para os salários, mas também para a Participação nos Lucros e Resultados, para o piso, vales e auxílios. A proposta trouxe de volta para a mesa, ainda, a lógica do abono.
 
O Comando Nacional dos Bancários foi bem claro com a Fenaban: abono não substitui reajuste. Os R$ 2.500 propostos não se incorporam aos salários, nem incidem sobre FGTS, férias e 13º salário.
 
De acordo com Roberto von der Osten, presidente da Contraf-CUT, a greve de 2015 pode entrar para a história. "A resposta para a tentativa dos banqueiros de mudar o modelo de negociação que tem dado certo nos últimos anos será respondida com um modelo de paralisação diferente, estratégica", revelou.

"Nosso objetivo não é só mostrar para a categoria o desrespeito dos patrões. É também mostrar para toda a população que, apesar dos altos lucros e das taxas e dos juros exorbitantes, eles não estão preocupados com seus clientes. Exploração não tem perdão!"
 
É hoje!
 
É dia de ir pra rua! Hoje, um grande ato conjunto tomará a Avenida Paulista. A concentração será a partir das 15h, no vão livre do Masp. Chame os colegas e vá demonstrar toda sua indignação com os bancos. Junto com os petroleiros, que também estão em campanha, vamos exigir aumento real para salários, manutenção dos empregos, fim da sobrecarga de trabalho que adoece, da terceirização fraudulenta. Também participarão trabalhadores do setor de alimentação, o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e dos Sem Terra (MST).

Melhorias para os clientes

A greve dos bancários tem muito a ver com os clientes, uma vez que os bancos não contratam funcionários suficientes, prejudicam o atendimento e cobram tarifas elevadas por serviços que muitas vezes o próprio correntista tem de fazer.

Os bancários reivindicam manutenção dos empregos e ampliação das contratações, o que melhora o atendimento; e também que os bancos cumpram sua função social, ofertando crédito e reduzindo taxas de juros.

“Além disso, aumento real para os salários, PLR, piso e vales é dinheiro no bolso do trabalho que ajudaria o país a aquecer a economia”, completa Paulo Franco.

Durante a greve, o Sindicato orienta a população a pagar suas contas nos caixas automáticos, correspondentes bancários ou via internet. Para isso, é importante ficar atento à data de vencimento dos débitos.
 
É possível negociar
 
Outros setores da economia, nem tão pujantes como o financeiro, apresentaram propostas para seus trabalhadores, muitos deles atingidos diretamente pela crise internacional. É o caso dos metalúrgicos, que estão em campanha e têm a mesma data base dos bancários: 1º de setembro. Apesar de sofrerem diretamente os efeitos da queda na venda de automóveis e caminhões, dezenas de empresas do ABC paulista ofereceram aos seus empregados a garantia do índice que recompõe pelo menos a inflação do período, de 9,88%.

O setor químico de São Paulo, também propôs aos seus empregados a correção dos salários pelo percentual equivalente à variação integral do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do período de novembro de 2014 a outubro de 2015, que deverá girar em torno de 10%. A data-base da categoria é 1º de novembro.

“Como pode um setor em que a crise passa longe querer impor perdas aos seus empregados?”, questiona a presidenta do Sindicato, Juvandia Moreira. “Os bancos estão mais uma vez comprovando sua falta de compromisso, não só com seus empregados, a quem tentam convencer ser parte de um “time”, mas também com o país e toda a sociedade brasileira. É um setor que tem totais condições de ajudar o país a sair da crise, retomar o crescimento, mas faz o contrário.”

REIVINDICAÇÕES DA CATEGORIA

Reajuste salarial de 16%. (incluindo reposição da inflação mais 5,7% de aumento real).

PLR: 3 salários mais R$7.246,82.

Piso: R$3.299,66 (equivalente ao salário mínimo do Dieese em valores de junho último).

Vales alimentação, refeição, 13ª cesta e auxílio-creche/babá: R$788,00 ao mês para cada (salário mínimo nacional).

Melhores condições de trabalho com o fim das metas abusivas e do assédio moral que adoecem os bancários.

Emprego: fim das demissões, mais contratações, fim da rotatividade e combate às terceirizações diante dos riscos de aprovação do PLC 30/15 no Senado Federal, além da ratificação da Convenção 158 da OIT, que coíbe dispensas imotivadas.

Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) para todos os bancários.

Auxílio-educação: pagamento para graduação e pós.

Prevenção contra assaltos e sequestros: permanência de dois vigilantes por andar nas agências e pontos de serviços bancários, conforme legislação. Instalação de portas giratórias com detector de metais na entrada das áreas de autoatendimento e biombos nos caixas. Abertura e fechamento remoto das agências, fim da guarda das chaves por funcionários. 

Igualdade de oportunidades: fim às discriminações nos salários e na ascensão profissional de mulheres, negros, gays, lésbicas, transexuais e pessoas com deficiência (PCDs).

PROPOSTA DOS BANCOS

Reajuste de 5,5% (representa perda de 4% para os bancários em relação à inflação de 9,88%).

Piso portaria após 90 dias - R$ 1.321,26.

Piso escritório após 90 dias - R$ 1.895,25.

Piso caixa/tesouraria após 90 dias - R$ 2.560,23 (salário mais gratificação, mais outras verbas de caixa).

PLR regra básica - 90% do salário mais R$ 1.939,08, limitado a R$ 10.402,22. Se o total ficar abaixo de 5% do lucro líquido, salta para 2,2 salários, com teto de R$ 22.884,87.

PLR parcela adicional - 2,2% do lucro líquido dividido linearmente para todos, limitado a R$ 3.878,16.

Antecipação da PLR

Primeira parcela depositada até dez dias após assinatura da Convenção Coletiva. Pagamento final até 01/03/2016. 

Regra básica - 54% do salário mais fixo de R$ 1.163,44, limitado a R$ 6.241,33 e ao teto de 12,8% do lucro líquido - o que ocorrer primeiro.

Parcela adicional - 2,2% do lucro líquido do primeiro semestre de 2015, limitado a R$ 1.939,08.

Auxílio-refeição - R$ 27,43.

Auxílio-cesta alimentação e 13ª cesta - R$ 454,87.

Auxílio-creche/babá (filhos até 71 meses) - R$ 378,56.

Auxílio-creche/babá (filhos até 83 meses) - R$ 323,84.

Gratificação de compensador de cheques - R$ 147,11.

Requalificação profissional - R$ 1.294,49.

Auxílio-funeral - R$ 868,58.

Indenização por morte ou incapacidade decorrente de assalto - R$ 129.522,56.

Ajuda deslocamento noturno - R$ 90,67. 
Fonte: Seeb Catanduva, com informações de Seeb SP e Contraf-CUT

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