14/10/2015
Greve cresce no nono dia contra o silêncio intransigente dos banqueiros
A greve dos bancários continua forte nesta quarta-feira (14), no nono dia da greve nacional, que atinge 26 estados e o Distrito Federal. São 11.437 agências paralisadas, um percentual 83% maior que no primeiro dia. Na região de Catanduva, de acordo com levantamento feito pelo Sindicato dos Bancários, são 70 unidades com as portas fechadas. Na cidade, todos os bancos públicos e privados suspenderam suas atividades desde o dia 6.
Segundo Roberto von der Osten, presidente da Contraf-CUT/SP, a ampla adesão dos bancários ao movimento deve-se à falta de sensibilidade dos banqueiros, que mudaram a fórmula do reajuste que vem sendo colocada em prática nos últimos anos, que é de reposição integral da inflação mais ganho real.
"Insistem no erro, em uma proposta que trará arrocho aos salários e benefícios, isso os bancários não aceitam, por isso a mobilização cresce. E só cessará diante da apresentação de uma proposta que respeite a categoria, que contribui cotidianamente com seu trabalho para os excelentes resultados que os bancos vêm apresentando", destaca.
Até o momento os banqueiros não se dispuseram a retomar as negociações: "Este silêncio denota falta de respeito para com os trabalhadores, faz aumentar o sentimento de indignação. Enquanto os banqueiros continuarem intransigentes, a greve continua" afirma.
Comando Nacional
Nenhum contato foi feito pela Fenaban desde o início da greve. O Comando Nacional dos Bancários se reúne nesta quarta-feira 14, na sede da Contraf-CUT, em São Paulo, para avaliar a campanha e definir os próximos passos do movimento.
Mobilização aumenta a cada dia
Os bancários têm aumentado a participação no movimento grevista deixando claro para os banqueiros o lema da Campanha Nacional 2015: Exploração não tem perdão. No primeiro dia foram 6.251 agências paralisadas e a greve vem aumentando dia a dia: para 8.763, 10.369 e saltando 10.818, na última sexta-feira e 11.437 nesta terça-feira (13).
Reivindicações dos Bancários
- Reajuste salarial de 16%. (incluindo reposição da inflação mais 5,7% de aumento real).
- PLR: 3 salários mais R$7.246,82.
- Piso: R$3.299,66 (equivalente ao salário mínimo do Dieese em valores de junho último). Vales alimentação, refeição, 13ª cesta e auxílio-creche/babá: R$788,00 ao mês para cada (salário mínimo nacional).
- Melhores condições de trabalho com o fim das metas abusivas e do assédio moral que adoecem os bancários.
- Emprego: fim das demissões, mais contratações, fim da rotatividade e combate às terceirizações diante dos riscos de aprovação do PLC 30/15 no Senado Federal, além da ratificação da Convenção 158 da OIT, que coíbe dispensas imotivadas.
- Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) para todos os bancários.
- Auxílio-educação: pagamento para graduação e pós.
- Prevenção contra assaltos e sequestros: permanência de dois vigilantes por andar nas agências e pontos de serviços bancários, conforme legislação. Instalação de portas giratórias com detector de metais na entrada das áreas de autoatendimento e biombos nos caixas. Abertura e fechamento remoto das agências, fim da guarda das chaves por funcionários.
- Igualdade de oportunidades: fim às discriminações nos salários e na ascensão profissional de mulheres, negros, gays, lésbicas, transexuais e pessoas com deficiência (PCDs).
Proposta dos bancos rejeitada pelos Bancários
- Reajuste de 5,5% (representa perda de 4% para os bancários em relação à inflação de 9,88%).
- Piso portaria após 90 dias - R$ 1.321,26.
- Piso escritório após 90 dias - R$ 1.895,25.
- Piso caixa/tesouraria após 90 dias - R$ 2.560,23 (salário mais gratificação, mais outras verbas de caixa).
- PLR regra básica - 90% do salário mais R$ 1.939,08, limitado a R$ 10.402,22. Se o total ficar abaixo de 5% do lucro líquido, salta para 2,2 salários, com teto de R$ 22.884,87.
- PLR parcela adicional - 2,2% do lucro líquido dividido linearmente para todos, limitado a R$ 3.878,16.
- Antecipação da PLR:
Primeira parcela depositada até dez dias após assinatura da Convenção Coletiva. Pagamento final até 01/03/2016.
Regra básica - 54% do salário mais fixo de R$ 1.163,44, limitado a R$ 6.241,33 e ao teto de 12,8% do lucro líquido - o que ocorrer primeiro.
Parcela adicional - 2,2% do lucro líquido do primeiro semestre de 2015, limitado a R$ 1.939,08.
- Auxílio-refeição - R$ 27,43.
- Auxílio-cesta alimentação e 13ª cesta - R$ 454,87.
- Auxílio-creche/babá (filhos até 71 meses) - R$ 378,56.
- Auxílio-creche/babá (filhos até 83 meses) - R$ 323,84.
- Gratificação de compensador de cheques - R$ 147,11.
- Requalificação profissional - R$ 1.294,49.
- Auxílio-funeral - R$ 868,58.
- Indenização por morte ou incapacidade decorrente de assalto - R$ 129.522,56.
- Ajuda deslocamento noturno - R$ 90,67.
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