08/10/2015
Região de Catanduva tem 46 agências fechadas
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Os bancários entraram em greve nesta terça-feira (6). Na região de Catanduva, 46 agências paralisaram suas atividades. Na cidade, a adesão é de 100%: as 16 unidades existentes estão com as portas fechadas. Em todo o Brasil, são 6.251 bancos públicos e privados fechados, além dos centros administrativos.
No histórico, a adesão maciça dos bancários demonstra um forte início de greve e revela a insatisfação dos trabalhadores com a proposta desrespeitosa apresentada pela Fenaban. “A proposta dos bancos de 5,5% de reajuste insulta toda a nossa categoria”, afirma Paulo Franco, presidente do Sindicato.
Em levantamento feito pelo Sindicato na manhã desta quarta-feira (7), estão em greve na região funcionários de 22 agências do Banco do Brasil, 11 da Caixa Econômica Federal, quatro do Bradesco, quatro do Santander, três do Itaú, além de uma unidade do HSBC e uma do banco Mercantil do Brasil.
A greve se estenderá por tempo indeterminado. A previsão é que funcionários de mais agências confirmem a paralisação. A base territorial do Sindicato engloba Catanduva e mais 35 municípios. São quase 200 agências,. “A greve mostrará que são os bancários que fazem o setor funcionar", diz o presidente.
Melhorias para os clientes
A greve dos bancários tem muito a ver com os clientes, uma vez que os bancos não contratam funcionários suficientes, prejudicam o atendimento e cobram tarifas elevadas por serviços que muitas vezes o próprio correntista tem de fazer.
Os bancários reivindicam manutenção dos empregos e ampliação das contratações, o que melhora o atendimento; e também que os bancos cumpram sua função social, ofertando crédito e reduzindo taxas de juros.
“Além disso, aumento real para os salários, PLR, piso e vales é dinheiro no bolso do trabalho que ajudaria o país a aquecer a economia”, completa Paulo Franco.
Durante a greve, o Sindicato orienta a população a pagar suas contas nos caixas automáticos, correspondentes bancários ou via internet. Para isso, é importante ficar atento à data de vencimento dos débitos.
Perda de 4%
Roberto von der Osten, presidente da Contraf-CUT, diz que a população precisa saber que os banqueiros é que são os responsáveis pelo impasse nas negociações, já que a proposta apresentada representa perda para os bancários. “Condições para atender nossas reivindicações eles têm”, garante.
O dirigente relembra que os bancos cobram tarifas exorbitantes e, com isso, acumulam lucros fantásticos. “Fazer esta proposta de redução de 4% dos nossos salários mostra falta de responsabilidade social e falta de coerência com os altos lucros que sempre tiveram".
Já a vice-presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, critica os altos salários dos executivos dos bancos. "Ao mesmo tempo em que oferecem tão pouco para um trabalhador, remuneram seus altos executivos com supersalários. Um bancário que ganha no piso R$ 1.796,45 teria de trabalhar 17,5 anos para ganhar o que o executivo do banco ganha em um mês".
Direito de greve
O direito de greve está previsto na Constituição Federal e prevê algumas exigências, como a publicação de aviso de greve em jornal de grande circulação. O Comando Nacional dos Bancários também encaminhou às instituições financeiras o calendário até a deflagração da greve (por lei, a greve deve ser aprovada em assembleia dos trabalhadores e, após isso, comunicada ao empregador com antecedência de 72 horas).
Essas determinações da lei foram rigorosamente seguidas pelo Sindicato. Para o empregador, a Lei de Greve proíbe a dispensa de trabalhadores ou a contratação de funcionários substitutos durante o período de paralisação.
Dados da categoria
Os bancários são uma das poucas categorias no país que possui Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) com validade nacional. Os direitos conquistados têm legitimidade em todo o País. São mais de 512 mil bancários no Brasil.
Nos últimos onze anos, a categoria conseguiu aumento real acumulado entre 2004 e 2014 de 20,7%: sendo 1,50% em 2009; 3,08% em 2010; 1,50% em 2011, 2% em 2012, 1,82% em 2013 e 2,02% em 2014.
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