06/10/2015
Greve começa e a culpa é dos bancos

O setor mais lucrativo e rentável da economia brasileira leva mais uma vez seus trabalhadores à greve. A partir desta terça-feira (6), bancários de todo o país param por tempo indeterminado. Uma resposta à proposta rebaixada da Fenaban de 5,5% de reajuste para salários, PLR, vales e auxílios, que nem chega perto de cobrir a inflação de 9,88% no período (INPC) e representa perda de 4% para os trabalhadores. E nada para questões fundamentais para a categoria como melhorias nas condições de trabalho, saúde e garantia de emprego.
Além disso, os bancos ressuscitaram a lógica do abono, e ofereceram R$ 2.500 pagos uma única vez e não incorporados aos salários, ou seja, não incidem sobre FGTS, férias ou 13º.
“Tentamos resolver a campanha na mesa de negociação, mas os bancos tornaram isso impossível diante dessa que é a pior proposta dos últimos anos. E vindo de um setor que, mesmo diante da crise econômica, continua apresentando lucros cada vez maiores”, destaca Juvandia Moreira, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo e uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários.
Só no primeiro semestre do ano, os resultados das cinco maiores instituições financeiras no país (Banco do Brasil, Caixa, Bradesco, Itaú e Santander) somaram R$ 36,3 bilhões, crescimento de 27,3% em relação ao mesmo período de 2014.
“Ou seja, uma proposta como essa não tem justificativa. A única explicação é a ganância de um setor que explora seus trabalhadores com sobrecarga e metas abusivas. E que só sabe tirar da sociedade, praticando juros altíssimos, tarifas excessivas, que chegaram a crescer 169% entre 2013 e 2015, e promovendo desemprego no país”, acrescenta Juvandia.
Em oito meses, os bancos cortaram 6.003 postos de trabalho (dados do Caged, Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).
"Quem está jogando os bancários para a greve é a Fenaban", afirmou Roberto von der Osten, presidente da Contraf-CUT e um dos coordenadores do Comando Nacional. "A atitude dos bancos é desrespeitosa e oportunista. A resposta dos bancários não poderia ser outra senão greve. Exploração não tem perdão", completou.
Pressão
Os bancários de Catanduva aderiram de forma maciça à greve da categoria. O objetivo, segundo Paulo Franco, presidente do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região, é pressionar os bancos para que novas propostas, que satisfaçam os trabalhadores, sejam apresentadas pelos banqueiros “Queremos aumento real de salário e melhores condições de trabalho. Sabemos que os bancos podem oferecer muito mais”, resume o sindicalista.
Ele ressalta a importância da mobilização: "Quem acompanhou as negociações sabe que os bancos são duros na queda. Eles só visam os lucros e o trabalhador acaba ficando em segundo plano. A greve mostrará para os bancos que são os bancários que fazem o setor funcionar".
Exploração
Enquanto tentam economizar à custa dos bancários, os bancos pagam salário médio mensal de quase R$ 420 mil para seus executivos. Essa desigualdade provoca aberrações tanto no setor quanto na sociedade.
Um bancário tem de trabalhar 17,5 anos seguidos para receber o que um executivo ganha em um mês. Para um professor, seriam necessários 14 anos de labuta na sala de aula para ganhar um único mês do salário do executivo. Com a proposta de perda real de 4%, essa desigualdade só tende a se agravar.
Chega de banqueiro ganhar tanto! Economizam com seus funcionários, com os clientes e pioram a qualidade do atendimento para toda a população, para engordar cada vez mais os ganhos dos seus diretores e acionistas.
E os clientes?
A Campanha Nacional dos Bancários tem muito a ver com os clientes, já que os bancos, que não estão nem aí para seus funcionários, também não dão a mínima para o cliente. Duas das maiores evidências são a gritante falta de funcionários, gerando uma sobrecarga que torna impossível o atendimento que o cliente precisa, e o valor elevado das tarifas cobradas para que o consumidor, muitas vezes, faça o próprio atendimento que deveria receber do bancário.
E olha que para eles, não tem crise. O lucro de R$ 36,3 bi nos primeiros seis meses de 2015 para Banco do Brasil, Caixa, Itaú, Bradesco e Santander é 27,3% maior que o do mesmo período do ano passado.
E o que cobram de tarifas de você?!?! Subiu 11,4% este ano e com o que arrecadam só com elas dá pra pagar todos os funcionários e ainda sobra muito nos cofres.
Ou seja, os clientes continuam pagando a conta, e alto, para serem barrados nas portas das agências e ter de fazer todo o trabalho, via autoatendimento, pelo celular ou pela internet (pagas pelo próprio cliente). Isso tudo porque o número de bancários não para de cair.
Os bancos ainda enchem os cofres reduzindo a qualidade do atendimento e cobrando juros extorsivos nos empréstimos, no cheque especial, no cartão de crédito.
A Campanha Nacional Unificada 2015 dos bancários reivindica aumento real e melhor distribuição dos lucros, o que seria justo para os trabalhadores e ajudaria a aquecer a economia e a não agravar a crise.
E também que os bancos cumpram sua função social: reduzindo as altíssimas taxas que cobram e assumindo compromisso com a manutenção dos empregos no setor para melhorar o atendimento aos clientes e a toda população. Os bancos podem e devem isso ao Brasil.
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