28/09/2015

A RESPOSTA É GREVE

Parece inacreditável, mas não é. Os bancos, setor que mais lucra na economia nacional, propuseram aos bancários reajuste de 5,5% para salários e vales, o que não chega nem perto de repor a inflação de 9,88% (INPC), e representaria perdas de 4%.
 
A proposta – apresentada na quinta rodada de negociação, na sexta-feira 25 – prevê abono de R$ 2,5 mil pago apenas uma vez.
 
“Essa proposta, a pior dos últimos anos, é um total desrespeito à categoria e orientamos sua rejeição nas assembleias que acontecerão em 1º de outubro, em todo o Brasil, com indicativo de greve a partir do dia 6”, diz Juvandia Moreira, uma das coordenadoras do Comando Nacional.
 
“E o desrespeito não é só com os bancários, mas com toda a sociedade, já que o setor vai levar os trabalhadores a uma paralisação nacional, mesmo com os bancos em pleno ganho”, critica a dirigente.
 
A Fenaban alegou na mesa que acordos de outras categorias fechados em julho e agosto estão em formato diferente de anos anteriores.
 
 O Comando rebateu lembrando que 69% dos fechados no primeiro semestre tiveram aumento real. E quando isso não aconteceu, foi em setores com prejuízo e que têm garantia de emprego, totalmente diferente do financeiro, que ganha cada vez mais e demite.
 
O lucro líquido dos cinco maiores bancos no Brasil (Banco do Brasil, Caixa, Bradesco, Itaú e Santander), nos seis primeiros meses deste ano, atingiu a marca de R$ 36,3 bilhões, crescimento de 27,3% em relação ao primeiro semestre de 2014.
 
Ignoraram reivindicações
 
Para a PLR, a proposta é manter a regra vigente, somente reajustada pelos 5,5% (90% do salário mais R$ 1.939,08). A parcela adicional, que distribui 2,2% do lucro líquido, sofreria o mesmo reajuste de 5,5%, podendo chegar a no máximo R$ 3.878,16.
 
“Isso significa que os bancos propõem continuar lucrando muito e distribuindo menos aos bancários”, ressalta a presidenta do Sindicato.
 
Faltou proposta para questões fundamentais. Além do aumento real, garantia de emprego, solução para a pressão por metas e a sobrecarga que adoecem, melhorias nas condições de trabalho, mais segurança e igualdade de oportunidades.
 
Calendário de luta
 
Até a assembleia do dia 1º, que deve deliberar sobre a greve a partir de 6 de outubro, os bancários estarão mobilizados: 29 de setembro será Dia Nacional de Luta.
 
No dia 2, após as assembleias, o Comando Nacional dos Bancários estará reunido, em São Paulo, para debater estratégias para a campanha.
 
“Todos devem participar da assembleia. Vamos mostrar aos bancos nossa disposição de luta. Eles têm até o dia 2 para fazer uma proposta decente”, afirma Juvandia.
 
BB e Caixa

A Contraf-CUT formalizou pedido de negociação às direções do Banco do Brasil e da Caixa Federal, mas elas ignoraram. Os bancos públicos sequer se posicionaram em relação a uma data para dar continuidade aos debates específicos da Campanha Nacional Unificada 2015.
 
Assembleia em Catanduva

O Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região, em edital publicado nesta segunda-feira (28), convoca todos os empregados dos bancos públicos e privados de sua base territorial, sócios e não sócios, para a assembleia geral extraordinária que será realizada no dia 1º de outubro, às 18h30, em primeira convocação, e às 20 horas, em segunda convocação. O encontro será na sede do Sindicato, na rua Pernambuco, nº 156, Centro, e terá a seguinte  pauta:

- Avaliação e deliberação sobre contraproposta apresentada pela Fenaban na reunião de 25/09/2015, à minuta de reivindicações entregue em 11/08/2015;
- Deliberação acerca de paralisação das atividades por prazo indeterminado a partir da 00h00 do dia 06/10/2015.
Fonte: Seeb SP, com edição de Seeb Catanduva

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