14/09/2015

Resultado de mobilização, Banco do Brasil apresenta propostas

Representantes dos trabalhadores reuniram-se com integrantes do Banco do Brasil para debater cláusulas sociais e previdência. A negociação, ocorrida na sexta-feira 11, objetiva a renovação, com avanços, do acordo aditivo à Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) e integram a Campanha Nacional Unificada 2015.

Durante a negociação, o banco apresentou algumas propostas: os funcionários da PSO (Plataforma Suporte Operacional) e gerentes de módulos poderão fazer cursos da rede varejo, e vice e versa. Escriturários de agências absorvidas poderão executar serviços da PSO e vice-versa. E a criação de grupos de trabalho para implementação de programa de estágio para caixas executivos com interesse em ascender para assistentes de negócios.

O banco também propôs rever as regras de concorrência de forma a possibilitar aos caixas executivos de PSO mais igualdade nas concorrências para ascensão à função gratificada de assistentes de negócios de agências.

“Essas propostas são fruto da mobilização dos caixas que fizeram uma grande greve na campanha nacional do ano passado e também da mesa temática que fizemos no começo deste ano sobre a PSO”, ressalta João Fukunaga, integrante da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB.

Os bancários cobraram a extinção dos 15 minutos não remunerados de descanso que as mulheres têm de cumprir diariamente nas bases sindicais de Brasília, Pará e Amapá. Nessas localidades, liminares ainda mantêm a prática. Em outras bases foi revertida pelo banco, mas sem um acordo coletivo sobre o assunto, poderá voltar futuramente. Isso porque a interrupção, baseia-se unicamente em uma suspensão do julgamento da ação no Superior Tribunal de Justiça, determinada pelo Supremo Tribunal Federal.

“Por isso somente através de uma negociação chegaremos a um acordo. Com essa decisão de retroagir em outras bases sindicais, o banco cria um passivo trabalhista, pois hora extra deve ser paga. Portanto, o BB tem de pagar os 15 minutos, desde janeiro até hoje.”

Na terça-feira 15, o tema será debatido na rodada de negociação entre a federação dos bancos e o Comando Nacional dos Bancários.

Gravidez de risco

O BB apresentou proposta que garante às mulheres com gravidez de alto risco quatro abonos mensais para acompanhamento médico, prevendo a possibilidade de mudança para outra praça, caso a atual não tenha infraestrutura médica para acompanhamento.

O movimento sindical cobrou a extensão desse direito também para todas as bancárias grávidas. O banco ficou de estudar.

PAS Adiantamento e PAS Auxílio

Os dirigentes cobraram o aumento dos valores, corrigidos pelo INPC. E a ampliação do programa de assistência social para os incorporados. O banco se comprometeu a apresentar uma comparação de valores e a estudar a questão.

Movimentação e permuta de funcionários

Dirigentes cobraram respeito ao sistema de remoção automática para escriturário no sistema SACR. “Em alguns lugares tem ocorrido entrevistas com esses bancários. Isso é ilegal e fere acordo coletivo”, afirma João Fukunaga.

Também foi cobrado respeito ao TAO (Talentos e Oportunidades - currículo dos funcionários). Representantes do Banco do Brasil afirmaram compromisso com as regras acordadas e salientaram que casos irregulares devem ser denunciados. “O movimento sindical reforçou que denunciará gestores que descumprirem as regras dos programas, mas espera que o banco faça sua parte e tome providências imediatas ao invés de meras ações paliativas como orientação de gestor”, explica.

SEM RESPOSTA

Uma série de outras demandas foram apresentadas ao banco, sem resposta (veja abaixo).

Vale-cultura

Foi levada à mesa a ampliação, para todos os funcionários, do vale-cultura, a exemplo do que já ocorre em outros bancos, além da correção do benefício de acordo com a inflação. O movimento sindical pleiteia valor de R$ 112,50.

Previ

Também cobraram para que todos os funcionários de bancos incorporados que não possuem plano de previdência possam aderir à Previ. Foi reivindicada ainda a migração do saldo do Economus para a Previ dos funcionários oriundos da Nossa Caixa.

Um teto para o benefício do plano 1 da Previ foi outra pauta reivindicada. “Não dá para os associados ao plano 1 pagarem pelo benefício dos diretores sem que haja um teto”, afirma Fukunaga.

Lapef

A regulamentação da Licença para Acompanhar Pessoa Enfermas da Família (Lapef) a todos os funcionários foi outra reivindicação levada ao banco.

Férias

A participação dos funcionários da unidade na elaboração da escala de férias foi mais uma demanda. “Existem ainda problemas com a imposição da data das férias por parte de administradores.” Também foi reivindicada a extensão do parcelamento de férias para os funcionários que não aderiram ao regulamento do BB. Hoje a escala não permite essa possibilidade.

Auxílio educacional

Também foi cobrada ampliação do programa de auxílio educacional, a criação de critérios claros de escolha, além da universalização do programa.

Antissindical

Dirigentes cobraram uma posição da instituição a respeito da possibilidade de organização sindical dos trabalhadores do Banco do Brasil nos Estados Unidos por meio da assinatura dos Termos de Neutralidade.

E denunciaram que o gestor da Genop-SP impediu nesta sexta-feira 11 a entrada dos funcionários do Sindicato no prédio da Avenida São João, em SP, descumprindo acordo coletivo que permite o livre trânsito da atividade sindical.

Vale transporte

Os funcionários cobraram do banco o pagamento do vale transporte intermunicipal, pois muito funcionários não obtém o benefício devido problemas na empresa concessionária, por não ter catraca ou serviço de vale-transporte. Os funcionários ficam prejudicas pois precisam se deslocar às próprias custas para trabalhar em cidades vizinhas e até mesmo dentro de regiões metropolitanas.

Folgas

Foi feito um amplo debate sobre a regulamentação da concessão de folgas no acordo coletivo e também sobre as folgas da justiça eleitoral.

Devido acordo com o Ministério Público do Trabalho, as folgas da justiça eleitoral não poderão mais constar do acordo com a opção de conversão em espécie, mesmo que uma parcela do estoque.

Os funcionários cobraram do BB que seja definido em acordo um prazo para concessão de folgas, para evitar que novamente a Dipes venha pressionar os funcionários para utilização de folgas, inclusive com ameaça de inquéritos administrativos indevidos.

O banco assumiu o compromisso de apresentar uma nova redação à cláusula das folgas ainda durante o processo de negociação.
Fonte: Contraf-CUT e Seeb SP, com edição de Seeb Catanduva

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