21/08/2015

Brasil vai às ruas em defesa da democracia

O sentimento no Largo da Batata, após o grande ato da noite desta quinta-feira (20), é de que o movimento golpista foi derrotado no Brasil. A força da classe trabalhadora ficou evidente quando 100 mil manifestantes pintaram de vermelho o trajeto entre as avenidas Faria Lima (zona sul) e Paulista (centro) gritando “não vai ter golpe”.

“Hoje, encerramos o terceiro turno e voltamos a pensar no Brasil, buscando um entendimento nacional que propicie um desenvolvimento com distribuição de renda”, afirmou Vagner Freitas, presidente nacional da CUT, que pediu mudanças nos rumos da economia nacional.

“Esperamos que o ajuste fiscal não seja uma política de governo. Precisamos mudar essa política econômica  do País, os ricos que devem pagar a conta, as grandes fortunas precisam ser taxadas, o trabalhador não pode seguir pagando a conta dessa crise política fabricada”, defendeu Vagner.

O coordenador do MST, João Paulo Rodrigues, também externou sua sensação de que “o golpe ficou no passado”. “Não há mais espaço para se reivindicar o impeachment da presidenta Dilma Rousseff. O que essas milhares de pessoas devem fazer, daqui pra frente, é disputar esse governo e puxar ele para a esquerda, porque isso ainda não temos garantias de que a presidenta fará”, afirmou.

Carina Vitral, presidenta da UNE, seguiu o mesmo raciocínio e comemorou o “fim do golpe”. “É a pá de cal que faltava. Estamos enterrando o golpismo e os estudantes do País vão às ruas fazer valer nossos direitos e lutar contra os projetos que atrasam o Brasil, como a redução da maioridade penal.”

Organizado por diversos movimentos sindical e sociais, o ato começou com um minuto de silêncio em homenagem aos 19 assassinados na chacina de Osasco. O nome de todas as vítimas foi anunciado.

Ainda na concentração do ato, os milhares de manifestantes foram informados de que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), foi denunciado por corrupção. Alguns grupos começaram a gritar: “eu já sabia”. O coordenador nacional do MTST, Guilherme Boulos, ironizou o fato e criticou a falta de coerência dos movimentos de direita que chamaram os atos do último domingo (16).

“Rechaçamos a indignação seletiva desse bando de ignorantes que vai até a avenida Paulista protestar contra corrupção, mas que corre abraçado com o Eduardo Cunha, um corrupto”, explicou Boulos.

Bonecos de Cunha, dos senadores José Serra (PSDB-SP) e Aécio Neves (PSDB-MG), além do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, foram carregados pelos manifestantes, que ironizaram os quatro cantando o clássico “Se gritar pega ladrão”, do sambista Bezerra da Silva.

Manifestos pelo Brasil

Milhares de pessoas saíram às ruas em todo o País em defesa da democracia nesta quinta-feira (20). A Central Única dos Trabalhadores (CUT) e outros movimentos sociais realizaram atos em 21 estados e no Distrito Federal.


Em São Paulo, manifestantes em apoio à presidente Dilma Rousseff e ao governo federal deixaram o Largo da Batata, na zona oeste de São Paulo, em direção à avenida Paulista.  protesto deve seguiu pela avenida Rebouças até o vão do MASP, na avenida Paulista. Representantes do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região estiveram presentes.

No Rio de Janeiro, integrantes do Sindicato dos Petroleiros chegaram à Candelária, no centro do Rio, com uma faixa em se lê: "Sérgio Moro: juiz da Globo e do PSDB!". Várias pessoas passam pela faixa e param para tirar fotos.

Por volta das 17h30 os manifestantes seguiriam em caminhada pela Avenida Rio Branco até a Cinelândia. Entre os manifestantes estão militantes do PT no Rio e em diversas cidades fluminenses, sindicalistas (a maioria ligados à CUT e a federações de petroleiros), integrantes do Movimento dos Sem Terra (MST) e estudantes. O ato é uma resposta aos protestos promovidos no último domingo, 16, que pediram a saída da presidente Dilma.

Vários cartazes criticam o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, acusado de fazer política "para os ricos". O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, também são alvos de críticas.

A caminhada do ato a favor da presidente Dilma em São Luís (MA) reuniu duas mil pessoas, de acordo a presidente da CUT, Adriana Oliveira. Os manifestantes gritam palavras de ordem como "não vai ter golpe".

Manifestantes ocuparam o entorno do obelisco na Praça Sete de Setembro, no centro de Belo Horizonte. Organizadores estimam em 5 mil pessoas o número de participantes do ato. Os participantes gritaram palavras de ordem como: "Fora, Levy" [referindo-se ao ministro da economia, Joaquim Levy], e "Fora, Cunha" [em alusão ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha - PMDB-RJ] além de "Fica, Dilma" [Rousseff].

Em Brasília, os manifestantes se reuniram em frente ao Conic, um centro de comércio e entretenimento na Asa Sul da capital federal. No local, uma tenda foi montada, eles cantaram o hino nacional e mostraram cartazes contra o "golpe" e contra o presidente da Câmara, Edurado Cunha (PMDB-RJ). Os manifestantes saíram em caminhada até a rodoviária do plano piloto.

Em Porto Alegre, o manifesto foi no centro da cidade e segundo o coordenador da CMS (Coordenação dos Movimentos Sociais), Valério Lopes, "o ato foi de grande importância, pois demonstrou a união entre o movimento sindical e popular, as entidades do campo e da cidade, que produziram o ato. Todos sob a mesma bandeira, em defesa da democracia e dos direitos sociais". Mais cedo, os manifestantes se reuniram na Paróquia Pompéia, para a Plenária Estadual do Movimento em Defesa da Democracia e dos Direitos Sociais. Participaram representantes do MPT (Ministério Público do Trabalho), da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) dos juízes e dos direitos humanos, como o presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos, Jair Krischke.

Em Fortaleza (CE), a mobilização ocorreu pela manhã e foi retomada à tarde. De acordo com a CUT, cerca de 20 mil pessoas saíram do Centro da cidade em direção à Praça do Ferreira. No Piauí, a manifestação tomou a capital Teresina por volta de 16h, na Praça Pedro II, com a participação de partidos políticos de esquerda e sindicatos.

Em Natal (RN), os participantes se concentram em frente à Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern). O ato em Recife concentra-se na Praça do Derby, no centro da cidade. Caruaru e Petrolina também aderiram ao movimento.

Na Paraíba, os trabalhadores saíram de João Pessoa em direção a Campina Grande, cidade onde nasceu o líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima, que é um dos apoiadores do impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

Em Salvador (BA), os manifestantes carregam cartazes e faixas com frases em defesa da democracia e contra a retirada de direitos sociais. Há ainda expressões contrárias ao projeto do senador tucano José Serra que diminui a participação da Petrobras no pré-sal. As cidades baianas Teixeira de Freitas, Eunápolis e Porto Seguro também realizaram manifestos. Pelo menos dez mil pessoas participaram no total.

Em Maceió (AL), o protesto ocorreu pela manhã e reuniu aproximadamente 6 mil pessoas. Os manifestantes percorreram cerca de 1,5 quilômetro da Praça Sinimbu até o Palácio Floriano Peixoto, sede do governo estadual. Por volta de 13h, os participantes deram um abraço simbólico no prédio e encerraram o ato.

O ato em Aracaju, capital de Sergipe, toma as principais ruas do Centro, mobilizado pela Frente Sergipana Brasil Popular. De acordo com a CUT, cerca de 3 mil pessoas aderiram ao movimento.

Em São Luís (MA), a concentração foi na Praça João Lisboa, com caminhada pela Rua Grande, até a Praça Deodoro da Fonseca. Em Goiânia, integrantes da CUT e sindicatos realizam protesto na praça do Bandeirante.

Movimentos sociais e estudantis se reuniram no Parque João do Vale, na região sul de Palmas (TO), para uma caminhada contra o impeachment de Dilma Rousseff. O grupo é formado por cerca de 100 pessoas, segundo os organizadores. Eles também criticam o financiamento privado de campanhas e projeto de terceirização.

Em Macapá (AP), a manifestação foi realizada na praça da Bandeira, durante a tarde e no início da noite. O ato foi pacífico e protestou também contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Várias entidades e movimentos sociais participaram do protesto.

Um grupo de manifestantes da CUT Mato Grosso do Sul realizou em favor da presidente Dilma Rousseff em Campo Grande, pela manhã. Manifestantes percorreram por 2h30 as principais ruas da área central da capital defendendo a democracia e o direito ao voto. Durante a caminhada, não houve registro de tumultos.

O ato nacional em favor da presidente Dilma Rousseff também aconteceu em São Luís. Cerca de 300 pessoas se reuniram na praça João Lisboa, no centro da cidade. Participaram do ato o deputado estadual Zé Inácio e o vereador Honorato Fernandes, ambos do PT. Militantes do PC do B e membros da CUT, UNE e sindicatos locais também gritam palavras de ordem contra a possibilidade de impeachment da presidenta petista. 
Fonte: Contraf-CUT, com agências

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