20/08/2015
1ª RODADA: DEMISSÃO NÃO TEM PERDÃO
Em bom “economês”, o gráfico que retrata lucro dos bancos e empregos desenharia a famosa “boca de jacaré”. Na mandíbula superior, o que o setor ganha ano a ano. Na inferior, os empregos, abocanhados pela ganância de quem ganha tanto, mas mesmo assim demite para lucrar ainda mais.
Entre 2012 e 2014, por exemplo, somente o lucro dos sete principais bancos em operação no Brasil (BB, Caixa, Itaú, Bradesco, Santander, HSBC e Safra) cresceu 18%, indo de R$ 52 bilhões para R$ 62 bilhões (dados dos balanços). Mas de janeiro de 2012 até junho de 2015, o setor (exceto a Caixa, que contratou nesse período) cortou 22.136 empregos (dados do Caged).
Não bastasse isso, a rotatividade resultou em dispensados com salários mais altos e admitidos ganhando em média 42% menos. Em qualquer cenário os bancos demitem e ganham muito com isso. Quando compram ou se fundem a outros, quando terceirizam, ou com os avanços tecnológicos.
Balanços divulgados no primeiro semestre do BB, Itaú, Bradesco e Santander dão conta de R$ 29,8 bi de lucro e fechamento de 5.254 postos. Esses foram alguns dos números apresentados pelo Comando Nacional dos Bancários à federação dos bancos (Fenaban) na primeira rodada de negociação da Campanha Nacional Unificada 2015.
A reunião tomou toda a quarta-feira 19, em São Paulo. “Emprego é nossa prioridade. Deixamos claro para os bancos que queremos garantir os postos de trabalho nas fusões desse setor, que é um dos que mais ganha na economia nacional”, relata Juvandia Moreira, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo e uma das coordenadoras do Comando.
“Exigimos respeito à jornada de seis horas e cobramos que cumpram seu papel de concessão pública: contratando mais bancários para atender bem e de forma segura toda a população. Não barrando alguns e recebendo somente os que lhes interessam financeiramente, em agências de negócios em que os trabalhadores vão sendo trocados por máquinas”, critica a dirigente.
Nem tanto
A resposta dos bancos repetiu postura de anos anteriores. Negam a realidade dos locais de trabalho e os dados apresentados pelo Comando Nacional (com base nos balanços dos próprios bancos e do Ministério do Trabalho), dizendo que não há muitas demissões no setor. Diante da evidente falta de profissionais, em agências que chegam a ter apenas dois funcionários, obrigam que clientes façam o trabalho bancário por meio da tecnologia.
“Tecnologia tem de ser bom para todos, não só para banco ganhar sem devolver nada para a sociedade e ainda gerar legiões de desempregados”, reforça Juvandia. “Queremos avançar na questão do respeito aos empregos na Campanha 2015 e da contratação de mais bancários para melhorar as condições de trabalho e atendimento. Não tem porque um setor que ganha tanto terceirizar, usar a rotatividade, a tecnologia para demitir e reduzir custo.”
Os bancos estão entre os setores que mais apoiam o PL da Terceirização, que tramita no Congresso Nacional. O Comando também questionou o aumento de demissões por justa causa e os bancos ficaram de verificar a denúncia. Sobre a reivindicação de ampliação do abono-assiduidade para cinco dias, os integrantes da Fenaban disseram que há pouca possibilidade de avançar.
CALENDÁRIO DE NEGOCIAÇÕES
Fenaban
2 e 3/9 - Saúde e Condições de Trabalho
9/9 – Igualdade de oportunidades
16/9 – Remuneração
Caixa Federal
27/8 – Saúde e segurança bancária
4/9 – Saúde Caixa, Funcef e aposentados
11/9 – Carreira, isonomia e organização do movimento
18/9 – Contratação, condição das agências e jornada
Banco do Brasil
24/8 – Emprego, contratações e condições de trabalho
25/8 – Condições de trabalho e saúde
31/8 – Segurança, igualdade de oportunidades e isonomia
11/9 – Cláusulas sociais e previdência complementar
18/9 – Remuneração e plano de carreira
Entre 2012 e 2014, por exemplo, somente o lucro dos sete principais bancos em operação no Brasil (BB, Caixa, Itaú, Bradesco, Santander, HSBC e Safra) cresceu 18%, indo de R$ 52 bilhões para R$ 62 bilhões (dados dos balanços). Mas de janeiro de 2012 até junho de 2015, o setor (exceto a Caixa, que contratou nesse período) cortou 22.136 empregos (dados do Caged).
Não bastasse isso, a rotatividade resultou em dispensados com salários mais altos e admitidos ganhando em média 42% menos. Em qualquer cenário os bancos demitem e ganham muito com isso. Quando compram ou se fundem a outros, quando terceirizam, ou com os avanços tecnológicos.
Balanços divulgados no primeiro semestre do BB, Itaú, Bradesco e Santander dão conta de R$ 29,8 bi de lucro e fechamento de 5.254 postos. Esses foram alguns dos números apresentados pelo Comando Nacional dos Bancários à federação dos bancos (Fenaban) na primeira rodada de negociação da Campanha Nacional Unificada 2015.
A reunião tomou toda a quarta-feira 19, em São Paulo. “Emprego é nossa prioridade. Deixamos claro para os bancos que queremos garantir os postos de trabalho nas fusões desse setor, que é um dos que mais ganha na economia nacional”, relata Juvandia Moreira, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo e uma das coordenadoras do Comando.
“Exigimos respeito à jornada de seis horas e cobramos que cumpram seu papel de concessão pública: contratando mais bancários para atender bem e de forma segura toda a população. Não barrando alguns e recebendo somente os que lhes interessam financeiramente, em agências de negócios em que os trabalhadores vão sendo trocados por máquinas”, critica a dirigente.
Nem tanto
A resposta dos bancos repetiu postura de anos anteriores. Negam a realidade dos locais de trabalho e os dados apresentados pelo Comando Nacional (com base nos balanços dos próprios bancos e do Ministério do Trabalho), dizendo que não há muitas demissões no setor. Diante da evidente falta de profissionais, em agências que chegam a ter apenas dois funcionários, obrigam que clientes façam o trabalho bancário por meio da tecnologia.
“Tecnologia tem de ser bom para todos, não só para banco ganhar sem devolver nada para a sociedade e ainda gerar legiões de desempregados”, reforça Juvandia. “Queremos avançar na questão do respeito aos empregos na Campanha 2015 e da contratação de mais bancários para melhorar as condições de trabalho e atendimento. Não tem porque um setor que ganha tanto terceirizar, usar a rotatividade, a tecnologia para demitir e reduzir custo.”
Os bancos estão entre os setores que mais apoiam o PL da Terceirização, que tramita no Congresso Nacional. O Comando também questionou o aumento de demissões por justa causa e os bancos ficaram de verificar a denúncia. Sobre a reivindicação de ampliação do abono-assiduidade para cinco dias, os integrantes da Fenaban disseram que há pouca possibilidade de avançar.
CALENDÁRIO DE NEGOCIAÇÕES
Fenaban
2 e 3/9 - Saúde e Condições de Trabalho
9/9 – Igualdade de oportunidades
16/9 – Remuneração
Caixa Federal
27/8 – Saúde e segurança bancária
4/9 – Saúde Caixa, Funcef e aposentados
11/9 – Carreira, isonomia e organização do movimento
18/9 – Contratação, condição das agências e jornada
Banco do Brasil
24/8 – Emprego, contratações e condições de trabalho
25/8 – Condições de trabalho e saúde
31/8 – Segurança, igualdade de oportunidades e isonomia
11/9 – Cláusulas sociais e previdência complementar
18/9 – Remuneração e plano de carreira
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