22/04/2024
Itaú trata seus trabalhadores como descartáveis e amplia terceirização da Central PJ
Em março, o Sindicato dos Bancários de Catanduva e região divulgou matéria em que o Sindicato de São Paulo, Osasco e região denunciava que a terceirização da Central PJ (produto Cartões) havia começado. Agora, as equipes Empreenda, Pro e Top Business dessa mesma central de atendimento também estão passando por esse processo, com um prazo de realocação de até 60 dias. Ao todo, 350 bancários estão com o emprego em risco.
Os comerciais na TV falam muito sobre o futuro, mas pais e mães de família estão aterrorizados com o presente e com a maneira como o Itaú está conduzindo esse processo. Muitos trabalhadores envolvidos na terceirização em andamento tem procurado pelo movimento sindical bancário, reclamando das ‘vagas fantasmas’ no portal e da falta de iniciativa do RH em realizar a realocação.
"Diferentemente do que prega em seus discursos em peças publicitárias milionárias, na verdade o que o Itaú está fazendo é demitir para substituir esses trabalhadores por mão de obra precarizada, com salários que podem chegar a ser 70% menores que os dos bancários, visando exclusivamente sua lucratividade. Estamos falando do setor mais lucrativo do país, que opera por meio de concessão pública, e, por isso, tem o dever de exercer a responsabilidade social. Com essa política e atual prática no mercado financeiro, não tem como não ter lucro nas alturas", critica o diretor do Sindicato dos Bancários de Catanduva e região, Ricardo Jorge Nassar Jr.
"Os que permanecem ficarão ainda mais sobrecarregados e com risco de adoecimento, pois os processos de terceirização potencializam a pressão e o medo da dispensa, que infelizmente já fazem parte do cotidiano dos bancários e bancárias do Itaú em todas as áreas", acrescenta Sérgio Luís C. Ribeiro (Chimbica), também diretor do Sindicato.
‘Devastação, angústia e ansiedade’
A notícia da terceirização das áreas pegou os bancários de surpresa. Segundo eles, não houve nenhum comunicado prévio. “A palavra que descreve tudo o que a gente está vivendo é ‘devastação’, pela forma que o banco conduziu tudo isso, e pela forma como foi falado para nós”, relata um bancário de uma das áreas que será terceirizada.
“A gente viu o que aconteceu nas outras áreas que foram terceirizadas, e o mínimo que o banco deveria fazer é se posicionar sobre planejamento ou remanejamento, mas o banco ficou calado. Tudo o que chegou pra nós foi fofoca, ‘radio peão’. Quando questionávamos nossos líderes, ninguém sabia o que iria acontecer. Isto gerou um sentimento de ansiedade, de angústia. O banco poderia informar com mais antecedência, para a gente se preparar para uma possível realocação por meio do processo interno. Um banco que investe tanto em publicidade, em marketing, que diz que acolhe os funcionários, mas na realidade não é o que acontece”, desabafa o trabalhador.
Uma pesquisa no Gupy revela várias vagas abertas ao mercado, como analista administrativo, de engenharia de tecnologia, de negócios digitais, de operações no atacado, entre outras. No LinkedIn, a situação é semelhante, com posições para analista de produto, de comunicação, de recursos humanos, jurídico, estratégia de negócios e muitas outras.
É sabido que a grande maioria dos trabalhadores é altamente qualificada e possui graduação, pós-graduação e MBA em diversas áreas. No entanto, o banco frequentemente oferece apenas vagas para o setor comercial.
Por que o Itaú está terceirizando?
A terceirização irrestrita, permitida pela Reforma Trabalhista durante o governo Michel Temer, resultou em vários impactos negativos para os trabalhadores e o mercado de trabalho. Ela permite que as empresas contratem trabalhadores terceirizados para qualquer atividade, incluindo as atividades-fim. Isso leva à precarização das condições de trabalho, já que os terceirizados geralmente recebem salários mais baixos, têm menos benefícios e menor estabilidade no emprego.
De acordo com estudo da CUT, em parceria com o Dieese, trabalhadores terceirizados ganham, em média, 25% menos do que os empregados diretos – e no setor bancário chega a ser 70% menos –; têm jornadas maiores (trabalham em média 3 horas a mais por semana) e ficam menos tempo em cada emprego (em geral saem antes de completar três anos, enquanto a média de permanência do funcionário direto é de 5,8 anos).
Além disso, a terceirização em larga escala dificulta a organização sindical, pois os trabalhadores terceirizados muitas vezes estão espalhados por diferentes empresas e locais de trabalho, o que enfraquece a representação sindical e a capacidade dos trabalhadores de negociar melhores condições de trabalho e salários.
Os Sindicatos negociaram terceirização com o banco?
Não. Os Sindicatos se opõem veementemente à terceirização no setor bancário e nunca negociaram essa prática com as instituições financeiras. As entidades acreditam que o verdadeiro trabalho bancário é realizado por aqueles que fazem parte integral do banco, pois a terceirização pode comprometer a qualidade do serviço aos clientes e as condições de trabalho e direitos dos bancários, essenciais para o funcionamento eficaz do sistema financeiro.
Os comerciais na TV falam muito sobre o futuro, mas pais e mães de família estão aterrorizados com o presente e com a maneira como o Itaú está conduzindo esse processo. Muitos trabalhadores envolvidos na terceirização em andamento tem procurado pelo movimento sindical bancário, reclamando das ‘vagas fantasmas’ no portal e da falta de iniciativa do RH em realizar a realocação.
"Diferentemente do que prega em seus discursos em peças publicitárias milionárias, na verdade o que o Itaú está fazendo é demitir para substituir esses trabalhadores por mão de obra precarizada, com salários que podem chegar a ser 70% menores que os dos bancários, visando exclusivamente sua lucratividade. Estamos falando do setor mais lucrativo do país, que opera por meio de concessão pública, e, por isso, tem o dever de exercer a responsabilidade social. Com essa política e atual prática no mercado financeiro, não tem como não ter lucro nas alturas", critica o diretor do Sindicato dos Bancários de Catanduva e região, Ricardo Jorge Nassar Jr.
"Os que permanecem ficarão ainda mais sobrecarregados e com risco de adoecimento, pois os processos de terceirização potencializam a pressão e o medo da dispensa, que infelizmente já fazem parte do cotidiano dos bancários e bancárias do Itaú em todas as áreas", acrescenta Sérgio Luís C. Ribeiro (Chimbica), também diretor do Sindicato.
‘Devastação, angústia e ansiedade’
A notícia da terceirização das áreas pegou os bancários de surpresa. Segundo eles, não houve nenhum comunicado prévio. “A palavra que descreve tudo o que a gente está vivendo é ‘devastação’, pela forma que o banco conduziu tudo isso, e pela forma como foi falado para nós”, relata um bancário de uma das áreas que será terceirizada.
“A gente viu o que aconteceu nas outras áreas que foram terceirizadas, e o mínimo que o banco deveria fazer é se posicionar sobre planejamento ou remanejamento, mas o banco ficou calado. Tudo o que chegou pra nós foi fofoca, ‘radio peão’. Quando questionávamos nossos líderes, ninguém sabia o que iria acontecer. Isto gerou um sentimento de ansiedade, de angústia. O banco poderia informar com mais antecedência, para a gente se preparar para uma possível realocação por meio do processo interno. Um banco que investe tanto em publicidade, em marketing, que diz que acolhe os funcionários, mas na realidade não é o que acontece”, desabafa o trabalhador.
Uma pesquisa no Gupy revela várias vagas abertas ao mercado, como analista administrativo, de engenharia de tecnologia, de negócios digitais, de operações no atacado, entre outras. No LinkedIn, a situação é semelhante, com posições para analista de produto, de comunicação, de recursos humanos, jurídico, estratégia de negócios e muitas outras.
É sabido que a grande maioria dos trabalhadores é altamente qualificada e possui graduação, pós-graduação e MBA em diversas áreas. No entanto, o banco frequentemente oferece apenas vagas para o setor comercial.
Por que o Itaú está terceirizando?
A terceirização irrestrita, permitida pela Reforma Trabalhista durante o governo Michel Temer, resultou em vários impactos negativos para os trabalhadores e o mercado de trabalho. Ela permite que as empresas contratem trabalhadores terceirizados para qualquer atividade, incluindo as atividades-fim. Isso leva à precarização das condições de trabalho, já que os terceirizados geralmente recebem salários mais baixos, têm menos benefícios e menor estabilidade no emprego.
De acordo com estudo da CUT, em parceria com o Dieese, trabalhadores terceirizados ganham, em média, 25% menos do que os empregados diretos – e no setor bancário chega a ser 70% menos –; têm jornadas maiores (trabalham em média 3 horas a mais por semana) e ficam menos tempo em cada emprego (em geral saem antes de completar três anos, enquanto a média de permanência do funcionário direto é de 5,8 anos).
Além disso, a terceirização em larga escala dificulta a organização sindical, pois os trabalhadores terceirizados muitas vezes estão espalhados por diferentes empresas e locais de trabalho, o que enfraquece a representação sindical e a capacidade dos trabalhadores de negociar melhores condições de trabalho e salários.
Os Sindicatos negociaram terceirização com o banco?
Não. Os Sindicatos se opõem veementemente à terceirização no setor bancário e nunca negociaram essa prática com as instituições financeiras. As entidades acreditam que o verdadeiro trabalho bancário é realizado por aqueles que fazem parte integral do banco, pois a terceirização pode comprometer a qualidade do serviço aos clientes e as condições de trabalho e direitos dos bancários, essenciais para o funcionamento eficaz do sistema financeiro.
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