12/05/2023
Lucro da Caixa chega a R$ 1,9 bilhões no primeiro trimestre
O Lucro Líquido da Caixa Econômica Federal foi de R$ 1,9 bilhão no 1º trimestre de 2023, com decréscimo de 23,9% em relação ao 1º trimestre de 2022 e de 11,1% em relação ao trimestre imediatamente anterior. A rentabilidade do banco sobre seu patrimônio líquido (ROE) ficou em 7,55%. Nos três primeiros meses do ano, a margem financeira Caixa cresceu 30,4%, em comparação ao mesmo período de 2022, atingindo R$ 13,9 bilhões. Por outro lado, houve elevação de 56,4% nas despesas de provisão para devedores duvidosos (PDD) e de 19,8% nas outras despesas administrativas.
“Quando analisamos os dados específicos do balanço, podemos dizer que o aumento de provisão é compreensível devido ao crescimento da taxa de inadimplência do banco, que começa a se aproximar da que é verificada nos grandes bancos privados, mas esta medida afeta o resultado do banco”, disse o técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Filipe Barreiros. “Além disso, quando analisamos a conjuntura econômica do país, vemos os efeitos da alta nas taxas de juros, que encarece o crédito e dificulta o cumprimento dos compromissos financeiros, tanto pela população, quanto pelas empresas e pelo Estado”, completou.
Segundo análise dos dados do balanço elaborada pelo Dieese, a taxa de inadimplência para atrasos superiores a 90 dias na Caixa foi de 2,73%, com aumento de 0,4 pontos percentuais na comparação com o primeiro trimestre do ano anterior. “Esse crescimento foi puxado, em grande medida, por um caso específico. Caso não tivesse acontecido, o índice teria sido de 2,38%”, diz o Dieese em sua análise.
Ganhos financeiros
O técnico do Dieese observou ainda que a política de juros praticada pelo Banco Central aumenta a inadimplência, mas é contornada por outras alternativas pelo mercado financeiro. “Os principais bancos do país viram os resultados de operações de crédito crescerem bem acima do aumento da carteira de crédito. Isso é consequência da taxa que é cobrada sobre os empréstimos”, explicou Barreiros.
Na Caixa, o crescimento das receitas com operações de crédito foi de 41,6% no primeiro trimestre, na comparação com o mesmo período do ano passado. No Itaú, estas receitas cresceram 47,4% no período. No Santander, 41,1% e, no Bradesco, 13,6%.
Prejuízo aos empregados
A coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, Fabiana Uehara Proscholdt, observa ainda que o aumento da PDD também traz prejuízos diretos aos trabalhadores da Caixa. “Não bastassem os prejuízos causados à sociedade como um todo, as altas taxas de juros praticadas pelo Banco Central e o consequente crescimento da inadimplência prejudicam nossa PLR (Participação nos Lucros ou Resultados)”, observou. “Ao afetar o resultado da Caixa, o Campos Neto também mexe no nosso bolso. É isso o que precisamos entender”, completou a coordenadora da CEE.
Sobrecarga de trabalho
Outro dado que mostra prejuízo aos empregados da Caixa é o que aponta a redução do pessoal. A Caixa encerrou o 1º trimestre de 2023 com 86.741 empregados, 109 a menos em um ano. Mas, além da queda no número de trabalhadores, houve aumento de aproximadamente 5 milhões de novos clientes no período, elevando, desta forma, a relação de clientes a serem atendidos por empregados para 1.744 clientes para cada empregado.
“A diminuição do número de empregados na Caixa, um movimento que vem ocorrendo nos últimos anos, está gerando uma epidemia de adoecimentos entre os trabalhadores e uma insatisfação crescente na população que busca atendimento. A redução dos postos de trabalho é um processo que prejudica os empregados, que têm de lidar com sobrecarga cada vez maior, e a população, sobretudo a de mais baixa renda, que estaria apartada dos serviços bancários se não fosse a Caixa, o único banco 100% público do país. Por tudo isto, o fortalecimento da Caixa, bem como a ampliação do número de postos de trabalho, é uma pauta permanente do movimento sindical e uma luta urgente que deve ser abraçada por toda a sociedade brasileira”, ressalta o diretor do Sindicato dos Bancários de Catanduva e região, Antônio Júlio Gonçalves Neto.
Outros dados
Veja abaixo a tabela resumo do balanço da Caixa ou, se preferir, clique aqui e leia a íntegra da análise, ambas elaboradas pelo Dieese.
“Quando analisamos os dados específicos do balanço, podemos dizer que o aumento de provisão é compreensível devido ao crescimento da taxa de inadimplência do banco, que começa a se aproximar da que é verificada nos grandes bancos privados, mas esta medida afeta o resultado do banco”, disse o técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Filipe Barreiros. “Além disso, quando analisamos a conjuntura econômica do país, vemos os efeitos da alta nas taxas de juros, que encarece o crédito e dificulta o cumprimento dos compromissos financeiros, tanto pela população, quanto pelas empresas e pelo Estado”, completou.
Segundo análise dos dados do balanço elaborada pelo Dieese, a taxa de inadimplência para atrasos superiores a 90 dias na Caixa foi de 2,73%, com aumento de 0,4 pontos percentuais na comparação com o primeiro trimestre do ano anterior. “Esse crescimento foi puxado, em grande medida, por um caso específico. Caso não tivesse acontecido, o índice teria sido de 2,38%”, diz o Dieese em sua análise.
Ganhos financeiros
O técnico do Dieese observou ainda que a política de juros praticada pelo Banco Central aumenta a inadimplência, mas é contornada por outras alternativas pelo mercado financeiro. “Os principais bancos do país viram os resultados de operações de crédito crescerem bem acima do aumento da carteira de crédito. Isso é consequência da taxa que é cobrada sobre os empréstimos”, explicou Barreiros.
Na Caixa, o crescimento das receitas com operações de crédito foi de 41,6% no primeiro trimestre, na comparação com o mesmo período do ano passado. No Itaú, estas receitas cresceram 47,4% no período. No Santander, 41,1% e, no Bradesco, 13,6%.
Prejuízo aos empregados
A coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, Fabiana Uehara Proscholdt, observa ainda que o aumento da PDD também traz prejuízos diretos aos trabalhadores da Caixa. “Não bastassem os prejuízos causados à sociedade como um todo, as altas taxas de juros praticadas pelo Banco Central e o consequente crescimento da inadimplência prejudicam nossa PLR (Participação nos Lucros ou Resultados)”, observou. “Ao afetar o resultado da Caixa, o Campos Neto também mexe no nosso bolso. É isso o que precisamos entender”, completou a coordenadora da CEE.
Sobrecarga de trabalho
Outro dado que mostra prejuízo aos empregados da Caixa é o que aponta a redução do pessoal. A Caixa encerrou o 1º trimestre de 2023 com 86.741 empregados, 109 a menos em um ano. Mas, além da queda no número de trabalhadores, houve aumento de aproximadamente 5 milhões de novos clientes no período, elevando, desta forma, a relação de clientes a serem atendidos por empregados para 1.744 clientes para cada empregado.
“A diminuição do número de empregados na Caixa, um movimento que vem ocorrendo nos últimos anos, está gerando uma epidemia de adoecimentos entre os trabalhadores e uma insatisfação crescente na população que busca atendimento. A redução dos postos de trabalho é um processo que prejudica os empregados, que têm de lidar com sobrecarga cada vez maior, e a população, sobretudo a de mais baixa renda, que estaria apartada dos serviços bancários se não fosse a Caixa, o único banco 100% público do país. Por tudo isto, o fortalecimento da Caixa, bem como a ampliação do número de postos de trabalho, é uma pauta permanente do movimento sindical e uma luta urgente que deve ser abraçada por toda a sociedade brasileira”, ressalta o diretor do Sindicato dos Bancários de Catanduva e região, Antônio Júlio Gonçalves Neto.
Outros dados
Veja abaixo a tabela resumo do balanço da Caixa ou, se preferir, clique aqui e leia a íntegra da análise, ambas elaboradas pelo Dieese.

SINDICALIZE-SE
MAIS NOTÍCIAS
- MPT reafirma direito de entidades sindicais à manifestação política durante processo eleitoral
- Contraf-CUT e Sindicato repudiam articulação para entregar participação do Banco do Brasil a banco dos EUA
- "Tesouraço" de Flávio eliminaria até 2,2 milhões de empregos e impactaria PIB negativamente em 1,55%, diz Dieese
- Sem Sindicato, salário médio dos bancários seria R$ 5 mil menor
- Bancos pressionam bancários por certificação C-Pro R até o fim de outubro
- Em virtude do 2º turno das eleições, Clube estará fechado no domingo (25)
- Proposta de reforma da Previdência ameaça aposentadorias e direitos dos bancários
- Grave! Banesprev exclui participantes da governança e entrega cargos de eleitos a indicados do Santander
- Governo Bolsonaro iniciou reestruturação na Caixa com ataques aos empregados e piora nas condições de trabalho
- Live dos Eleitos debate gestão e perspectivas para o futuro da Cassi nesta quinta-feira (22)
- Fenae alerta participantes da Funcef sobre riscos de contribuições em atraso
- Daniella Marques: do discurso de valorização das mulheres às propostas que preocupam os trabalhadores
- Reforma Administrativa: planos do candidato Flávio Bolsonaro ameaçam bancários de bancos públicos
- CCT 2026/2028 garante indenização extra e apoio à recolocação após fechamento de agências
- Seu voto não termina na urna: como o resultado do segundo turno afeta sua vida, trabalhador?