14/11/2022
Barrar encolhimento da Caixa e pôr fim ao assédio são prioridades, diz conselheira
Instituição centenária, a Caixa Econômica Federal conseguiu sobreviver ao desastre do governo Bolsonaro, mas não sem abalos. Entre os trabalhadores do banco, o clima é de alívio com eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Sob orientação do ministro da Economia, Paulo Guedes, tanto a Caixa como o Banco do Brasil passaram a funcionar praticamente como bancos privados. As taxas de juros e tarifas bancárias subiram e parte dos seus ativos financeiros foram privatizados. Na mesma linha, os funcionários foram submetidos a pressões cada vez maiores, com metas abusivas, redução dos quadros e aumento dos casos de assédio moral. Na Caixa, a situação foi ainda pior: pela primeira vez na história, seu ex-presidente Pedro Guimarães enfrenta acusações de assédio sexual.
A expectativa é que as instituições financeiras voltem a cumprir o seu papel social, financiando o desenvolvimento econômico e social do país. O Banco do Brasil, por exemplo, responde por 54% do crédito agrícola no país. Por outro lado, a Caixa é líder no setor habitacional, com 67,7% dos empréstimos concedidos ao setor, financiando também obras de saneamento e infraestrutura.
Para a representante dos bancários no Conselho de Administração da Caixa (CA), Maria Rita Serrano, funcionária da instituição há 33 anos, a prioridade para o próximo período é para o processo de “desmantelamento” que a instituição sofreu nos últimos anos. Ela relata que os “lucros extraordinários” alardeados por Guimarães antes de cair em desgraça são fruto desse processo. Como exemplo, no ano passado, a banco público abriu o capital da Caixa Seguridade. Além disso, vendeu sua participação em ações da Petrobras, do IRB Brasil, e privatizou o Banco Pan.
Trajetória insustentável na Caixa
De acordo com a conselheira, os efeitos desses lucros não sustentáveis começam a ser percebidos agora. No terceiro trimestre deste ano, registrou lucro líquido de R$ 3,2 bilhões, alta de 0,5% na comparação com o ano passado. O lucro recorrente, no entanto, ficou em R$ 2,8 bilhões, queda de 45% em relação ao ano passado. Contudo, o balanço do banco foi reforçando com provisões que haviam sido congeladas nos trimestres anteriores.
“Quando você vende as coisas da sua casa, a geladeira, o fogão, naquele mês que você vendeu, com certeza vai ter um dinheiro a mais. Depois vai ficar sem a geladeira, sem o fogão, e sem o dinheiro a mais. Na Caixa é parecido.”
Ela classifica ainda como “irresponsável” a política adotada pelo atual governo de conceder crédito consignado aos beneficiários do Auxílio Brasil. Como arma eleitoreira, até o mês passado, a Caixa Federal concedeu R$ 5,5 bilhões em empréstimos nessa modalidade. O banco chegou a suspender o consignado, após apontar danos ao “interesse público”. Mas a atual presidenta do banco, Daniella Marques, afirmou que os empréstimos serão retomados nos próximos dias. “Ofertar crédito que vai endividar a população mais carente é controversa e questionável”, criticou Rita.
Outro desafio para o próximo período, segundo ela, é reformular toda área de pessoal do banco. “Os trabalhadores da Caixa estão muito judiados. Teve esse processo de aumento drástico de denúncias de assédio moral. Pela primeira vez, teve denúncias de assédio sexual contra o principal dirigente da instituição. E como em outros setores do governo, o que prevaleceu nesses últimos anos, foi a gestão pelo medo, pelo terror, pela perseguição. Os trabalhadores esperam que a gente volte a ter uma gestão humanizada, que respeite os trabalhadores”.
Papel social e modernização
A conselheira também reivindica investimentos em tecnologia e valorização do corpo técnico do banco, para ter condições de competir com as instituições privadas. Além disso, ela também espera que a Caixa retome o seu papel como principal gestora do Minha Casa Minha Vida, programa habitacional que o governo Lula promete retomar.
“Gosto de destacar que a área da Habitação é extremamente importante para a criação de empregos. É uma das áreas que mais gera emprego, principalmente para a população de baixa renda. Então a indústria da Construção Civil é importante”.
Ao mesmo tempo em que apela pela modernização, Rita também destaca que os quadros do banco estão defasados, o que aumenta a sobrecarga dos trabalhadores. “Nós tínhamos em 2014, no auge do governo Dilma, 101 mil trabalhadores. Hoje a Caixa está com 87 mil trabalhadores. Se considerar que não diminuiu o número de agências, mas estamos com 13 mil trabalhadores a menos, fica clara a necessidade de recompor os quadros e valorizar os trabalhadores da Caixa.
A expectativa é que as instituições financeiras voltem a cumprir o seu papel social, financiando o desenvolvimento econômico e social do país. O Banco do Brasil, por exemplo, responde por 54% do crédito agrícola no país. Por outro lado, a Caixa é líder no setor habitacional, com 67,7% dos empréstimos concedidos ao setor, financiando também obras de saneamento e infraestrutura.
Para a representante dos bancários no Conselho de Administração da Caixa (CA), Maria Rita Serrano, funcionária da instituição há 33 anos, a prioridade para o próximo período é para o processo de “desmantelamento” que a instituição sofreu nos últimos anos. Ela relata que os “lucros extraordinários” alardeados por Guimarães antes de cair em desgraça são fruto desse processo. Como exemplo, no ano passado, a banco público abriu o capital da Caixa Seguridade. Além disso, vendeu sua participação em ações da Petrobras, do IRB Brasil, e privatizou o Banco Pan.
Trajetória insustentável na Caixa
De acordo com a conselheira, os efeitos desses lucros não sustentáveis começam a ser percebidos agora. No terceiro trimestre deste ano, registrou lucro líquido de R$ 3,2 bilhões, alta de 0,5% na comparação com o ano passado. O lucro recorrente, no entanto, ficou em R$ 2,8 bilhões, queda de 45% em relação ao ano passado. Contudo, o balanço do banco foi reforçando com provisões que haviam sido congeladas nos trimestres anteriores.
“Quando você vende as coisas da sua casa, a geladeira, o fogão, naquele mês que você vendeu, com certeza vai ter um dinheiro a mais. Depois vai ficar sem a geladeira, sem o fogão, e sem o dinheiro a mais. Na Caixa é parecido.”
Ela classifica ainda como “irresponsável” a política adotada pelo atual governo de conceder crédito consignado aos beneficiários do Auxílio Brasil. Como arma eleitoreira, até o mês passado, a Caixa Federal concedeu R$ 5,5 bilhões em empréstimos nessa modalidade. O banco chegou a suspender o consignado, após apontar danos ao “interesse público”. Mas a atual presidenta do banco, Daniella Marques, afirmou que os empréstimos serão retomados nos próximos dias. “Ofertar crédito que vai endividar a população mais carente é controversa e questionável”, criticou Rita.
Outro desafio para o próximo período, segundo ela, é reformular toda área de pessoal do banco. “Os trabalhadores da Caixa estão muito judiados. Teve esse processo de aumento drástico de denúncias de assédio moral. Pela primeira vez, teve denúncias de assédio sexual contra o principal dirigente da instituição. E como em outros setores do governo, o que prevaleceu nesses últimos anos, foi a gestão pelo medo, pelo terror, pela perseguição. Os trabalhadores esperam que a gente volte a ter uma gestão humanizada, que respeite os trabalhadores”.
Papel social e modernização
A conselheira também reivindica investimentos em tecnologia e valorização do corpo técnico do banco, para ter condições de competir com as instituições privadas. Além disso, ela também espera que a Caixa retome o seu papel como principal gestora do Minha Casa Minha Vida, programa habitacional que o governo Lula promete retomar.
“Gosto de destacar que a área da Habitação é extremamente importante para a criação de empregos. É uma das áreas que mais gera emprego, principalmente para a população de baixa renda. Então a indústria da Construção Civil é importante”.
Ao mesmo tempo em que apela pela modernização, Rita também destaca que os quadros do banco estão defasados, o que aumenta a sobrecarga dos trabalhadores. “Nós tínhamos em 2014, no auge do governo Dilma, 101 mil trabalhadores. Hoje a Caixa está com 87 mil trabalhadores. Se considerar que não diminuiu o número de agências, mas estamos com 13 mil trabalhadores a menos, fica clara a necessidade de recompor os quadros e valorizar os trabalhadores da Caixa.
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