18/11/2020
Homicídios se concentram na população negra, apontam dados do Atlas da Violência

Dados do Atlas da Violência 2020 apontam que a forte concentração dos índices de violência letal na população negra é uma das principais expressões das desigualdades raciais existentes no Brasil. Produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o estudo mostra que os jovens negros são as principais vítimas de homicídios no país e que as taxas de mortes de negros apresentam crescimento acentuado ao longo dos anos. Entre os brancos os índices de mortalidade são muito menores e, em muitos casos, apresentam redução.
Para o secretário de Combate ao Racismo da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Almir Aguiar, trata-se de um verdadeiro genocídio contra o povo negro, respaldado pelo Estado. “O aparato policial do Estado é o que mais mata! Esta política deve ser combatida!”, disse.
Em 2018, 75,7% das vítimas de homicídios eram negras (soma de pretos e pardos), uma taxa de homicídios de 37,8/100 mil habitantes. Entre os não negros (soma de brancos, amarelos e indígenas) a taxa naquele ano foi de 13,9/100 mil habitantes. “Esse dado mostra que para cada pessoa não negra assassinada, ocorreram 2,7 homicídios de negros. Ou seja, ocorrem quase três vezes mais homicídios de negros do que de brancos em nosso país”, disse indignado o dirigente da Contraf-CUT.
#VidasNegrasImportam
“Os indicadores sociais da violência indicam o aprofundamento das desigualdades raciais. Isso é facilmente perceptível quando observamos que a redução da taxa de homicídios se concentrou entre a população não negra. Entre os negros houve aumento”, ressaltou Almir.
Os dados do Mapa da Violência 2020 indicam que, entre 2008 e 2018, as taxas de homicídio apresentaram um aumento de 11,5% para os negros, enquanto para os não negros houve uma diminuição de 12,9%.
“Mas, não podemos deixar de lembrar que o racismo no Brasil é estrutural, está presente em toda a estrutura social. E, assim como ocorre no quesito violência, quando falamos sobre mercado de trabalho o negro também sofre discriminação”, completou o dirigente da Contraf-CUT. “Aos negros e negras são destinados os cargos de menor importância e salários e são ceifadas todas as possibilidades de ascensão profissional”, concluiu.
Consciência Negra
O Sindicato dos Bancários de Catanduva e região participa de diversas ações, juntamente com demais entidades sindicais e movimentos populares, neste mês da Consciência Negra, com o objetivo de levar a sociedade a refletir sobre a segregação racial, que mancha de sangue nossa história, e perdura até os dias atuais.
"A luta contra o preconceito, a discriminação e a violência decorrente da cor da pele das pessoas deve acontecer durante todo o ano e ser intensificada durante o mês de novembro. O preconceito é resultado não somente da discriminação ocorrida no passado, mas de um processo ainda muito ativo de estereótipos raciais enraizados por muito tempo, inclusive no Estado. Precisamos reverter esse quadro e promover um modelo de desenvolvimento no qual a diversidade seja um dos seus pilares e em que prevaleça a cultura da inclusão e da igualdade!, ressalta o presidente do Sindicato, Roberto Carlos Vicentim.

Na categoria bancária, a luta contra a discriminação racial é prioritária. Os trabalhadores exigem igualdade de oportunidades e inclusão nos bancos, garantindo iguais condições de acesso e ascensão profissional para negras e negros, que ainda recebem salários menores para os mesmos trabalhos e ocupam menos cargos de liderança no Brasil.
"O Sindicato está ao lado de todas e todos aqueles que protestam contra o genocídio da população negra, contra o racismo e contra a violência praticada em abordagens policiais. Basta ao racismo estrutural", conclui Vicentim.
Na sexta-feira, 20 de novembro, a Contraf-CUT, sindicatos e federações de trabalhadores do ramo financeiro de todo o país se somam às atividades do Dia da Consciência Negra e a partir das 12h, realizarão uma manifestação pelas redes sociais com a hashtag #VidasNegrasImportam.
Vamos utilizar o Twitter para denunciar a discriminação racial, que pune a população negra, com a violência, a discrimina no mercado de trabalho e em toda a estrutura da sociedade. Não podemos mais tolerar o racismo!
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