27/08/2019

Bancários se opõem à abertura de agências aos sábados: ‘Exploração dos trabalhadores’


Representantes dos bancários afirmam que não serão criados postos de trabalho para suprir a
demanda aos sábados, o que irá sobrecarregar ainda mais os funcionários que já são poucos

(Foto:Cristina Indio do Brasil/EBC)
 

Propagandeada como necessária para a criação de empregos e a desburocratização dos serviços, a Medida Provisória (MP) 881, também chamada de MP da Liberdade Econômica, é mais uma “minirreforma trabalhista”, na avaliação de dirigentes sindicais bancários. Aprovada pelo Senado na semana passada, a MP autoriza, entre outros pontos, a abertura de agências bancárias aos sábados. E isso, afirmam representantes da categoria, fere direitos garantidos na convenção coletiva dos trabalhadores e a lei. A reportagem é da Rede Brasil Atual.

Trabalho aos sábados: CLT e CCT resguardam bancários

Coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Ivone Silva avalia que a MP é também contraditória. Em entrevista ao repórter Cosmo Silva, da Rádio Brasil Atual, a presidenta destaca o artigo 224 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que permite jornadas de seis horas diárias aos trabalhadores bancários. Dessa forma, mesmo que a Lei 4.178/62, sobre o funcionamento dos bancos, tenha sido revogada pela MP 881, a CLT proíbe a abertura das agências aos sábados. 

“Tem uma contradição, porque eles revogaram uma lei, mas a gente tem o artigo da CLT que ainda proíbe, e essa vai ser nossa grande discussão com os bancos, porque nós já dissemos que somos contrários à abertura das agências aos sábados”, ressalta Ivone.

Além de exploração, a medida piora as condições de trabalho. As novas tecnologias deveriam servir para ajudar, mas, na verdade, estão sobrecarregando ainda mais o dia-a-dia dos trabalhadores, ao invés de otimizar a jornada. “Agora eles falam que o problema é que temos muita burocracia, que devemos tirá-la. E vem novamente um projeto que era para desregulamentar e tornar mais fácil o que eles falam de liberdade econômica. Colocam questões que já foram discutidas e retiradas da reforma trabalhista e piora as leis para os trabalhadores”, contesta.

"Não se trata somente da questão 'remuneração', pagar horas extras. Admitir a abertura dos bancos aos finais de semana é sobrecarregar os trabalhadores, aumentar a pressão e o risco de adoecimento da categoria, que já sofre altos índices de afastamentos para tratamento de depressão,  transtornos mentais, doenças psicossomáticas e lesões por esforços repetitivos (LER/Dort). A defesa da CCT é prioridade neste momento para preservar direitos. Resistência e luta!", acrescenta o presidente do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região, Roberto Carlos Vicentim.

Na votação da MP 881 no Senado, apesar das polêmicas, os parlamentares retiraram o ponto que previa o fim das restrições de trabalho aos domingos e feriados. No entanto, conservaram partes do texto enviado pelo governo Jair Bolsonaro, como o fim da necessidade de licenças e alvarás para negócios de baixo risco, a proibição do abuso regulatório, como a criação de regras para a reserva de mercado ou controle de preço. A MP aguarda agora sanção presidencial.

Ouça a reportagem na íntegra
 
Fonte: Rede Brasil Atual, com edição de Seeb Catanduva

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