27/07/2019
21ª Conferência Estadual da FETEC-CUT/SP debate os impactos da reestruturação bancária

A economista Cátia Uehara, técnica do DIEESE, participou da mesa que debateu reestruturação bancária e os impactos para a categoria, na tarde deste sábado, 27, na 21ª Conferência Estadual. Foram apresentados dados que mostram que os bancos investem pesadamente em tecnologia, ficando em segundo lugar no Brasil e no mundo nesse ranking. Desde 1994, os bancos brasileiros investiram R$ 97,7 bilhões, especialmente em software.
O processo de reestruturação nos bancos não é novo, mas vem sendo vivenciado de forma diferente ao longo dos anos. A marca do período atual relaciona-se com a chamada indústria 4.0. “A utilização massiva da internet, do compartilhamento de dados, da inteligência artificial, de plataformas digitais, que serão inseridos em vários âmbitos da vida, desde o uso de tecnologias financeiras em plataformas digitais é cada dia mais comum”, disse a economista.
Efeitos da indústria 4.0 nos bancos
No sistema financeiro, o impacto da indústria 4.0 pode ser percebido na ampliação das transações financeiras digitais; na digitalização das áreas de apoio, como caixas eletrônicos; no uso da inteligência artificial; nos novos modelos de negócios, como bancos plataforma ou totalmente digitais (como Inter e Next) e também nos novos modelos de trabalho, como o home office.
O número de transações via celular passou de 48,8 bilhões em 2014 para 78,9 bi em 2018, número que corresponde a 40% das transações bancárias. Somadas operações por mobile e internet banking, esse percentual chega a 60%. Já nas agências, o volume de transações é de 5%. Enquanto isso, o número de contas abertas por celular passou de 1,6 milhão para 2,5 milhões.
Segundo Cátia, o uso do smartphone foi uma forma importante que os bancos encontraram para reduzir custos, e diversas novas tecnologias estão sendo desenvolvidas nesse sentido, a exemplo de aplicativos de pagamento que poderão ser baixados no celular e utilizados por pessoas que sequer têm conta bancária, mas que poderão fazer transferências e pagamentos por QrCode, por exemplo.
Emprego
O impacto da reestruturação bancária para os empregos no setor também foi destacado. Segundo dados do CAGED – entre 2013 e 2018, temos um saldo negativo de 60 mil postos de trabalho no setor bancário, considerando a diferença entre o número de admissões e de demissões no período. Em 2018, o corte de postos de trabalho foi de 3 mil, e de janeiro a março de 2019, 1.655 – quase a metade do saldo alcançado em todo o ano de 2018.
“É preciso refletir sobre a ação sindical diante desta nova realidade e repensando as formas de combate à exploração do trabalho bancário, um desafio que deve envolver não só a categoria bancária, mas todos os trabalhadores”, explica Cátia Uehara.
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