27/07/2019
Análise de conjuntura apresentada na 21ª Conferência Estadual da Fetec-CUT/SP

Durante a 21ª Conferência Estadual dos Bancários, da Federação dos Bancários da CUT de São Paulo (FETEC-CUT/SP), foi realizada a mesa de análise da conjuntura atual, com a participação do professor Moisés da Silva Marques, diretor acadêmico da Faculdade 28 de Agosto, do Sindicato dos Bancários de São Paulo e Altamiro Borges (Miro), presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa “Barão de Itararé” e responsável pelo Blog do Miro.
Segundo o professor Moisés, o movimento sindical precisa entender a revolução tecnológica e se reinventar para dialogar principalmente com os jovens das gerações que já nascem dominando as novas tecnologias.
Ele diz que há hoje, no Brasil, 404 fintechs operando, que seriam uma revolução tecnológica sem precedentes, alterando profundamente o sistema financeiro e o trabalho bancário. A tecnologia muitas vezes já substituiria a inteligência humana, embora não tenha, ainda, conseguido adquirir consciência.
“Os movimentos sindicais precisam entender o momento e buscar as pessoas onde elas estão. Em contraposição à extrema individualização trazida pelo ideário neoliberal, o desafio é descobrir formas de convivência entre as pessoas. Temos que buscar alternativas”, completou o diretor da Faculdade 28 de Agosto.

O jornalista Altamiro Borges, também participante do painel de análise de conjuntura, falando sobre o Brasil, considerou que “perdemos debates na luta de ideias na sociedade brasileira para os setores de direita, que se apropriaram de temas como a corrupção e a segurança pública”. Ele listou algumas contradições entre os vários setores que compõem o atual governo – militares, economistas neoliberais, religiosos fundamentalistas, entre outros e considerou que “as divergências e os conflitos entre estes grupos precisam ser aproveitadas pela oposição para garantir ou ganhar espaços no enfrentamento à ultradireita no poder”.
Para Miro, algumas das causas para situação atual são: a crise prolongada do capitalismo, concentrando cada vez mais a riqueza e reavivando uma onda nacionalista; a falta de sucesso das alternativas de resposta a essa crise, e a desestruturação das classes sociais. “A situação tem piorado no Brasil. A onda ultraliberal somou-se à onda ultraconservadora global e demonstrou, mais uma vez, que o neoliberalismo não combina com a democracia”, conclui Miro.
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