22/05/2019
Não perde nunca: imune a crises, setor financeiro aumenta lucros, eleva as tarifas e fecha agências

Em meio à recessão econômica que se instaurou no país nos últimos cinco meses, com aumento do desemprego, crescimento da desigualdade social, retração na projeção do PIB e sequências de alta nos preços do dólar e do combustível, os bancos permanecem lucrando. Só no primeiro trimestre de 2019, os lucros dos quatro grandes bancos do país (Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Santander), juntos, somaram R$ 20,85 bilhões, um crescimento médio de 19,8% em doze meses. A rentabilidade varia entre 16,8% (do Banco do Brasil) e 23,6% (Itaú). Portanto, seguem elevados a lucratividade e o retorno desses bancos, apesar do difícil cenário econômico pelo qual o país passa.
Os quatro ativos somados totalizaram R$ 5,3 trilhões, com alta média de 7,8% em relação a março de 2018. A carteira de crédito total dos quatro bancos juntos atingiu R$ 2,3 trilhão, com alta de 6,9% no período. No segmento de Pessoa Física, os itens com as maiores altas são empréstimos consignados/ crédito pessoal, o financiamento imobiliário e cartão de crédito.
Para Pessoa Jurídica, as carteiras de comércio exterior e veículos foram as que apresentaram variações mais expressivas. Com o crescimento das carteiras de crédito dos bancos, as despesas com devedores duvidosos (PDD) também cresceram (exceto no Santander e no BB). Contudo, no Bradesco, essas despesas tiveram alta em maior proporção do que o crescimento da respectiva carteira (36,7%).
Os bancos seguem ganhando com a prestação de serviços e a cobrança de tarifas e, apenas no 1º trimestre de 2019, os quatro bancos já arrecadaram, aproximadamente, R$ 27,2 bilhões nesse item. Essa receita secundária cobre com folga as despesas de pessoal dessas instituições, incluindo-se, o pagamento da PLR. A cobertura das despesas de pessoal pela receita de prestação de serviços e tarifas variou entre 118,0% (no BB) e 195% (no Santander).
Outra conta que vem chamando a atenção é a de resultado com imposto de renda (IR) e contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL). No 1º trimestre de 2019, Bradesco, Santander, Itaú e Banco do Brasil, gastaram R$ 2 bilhões a menos em tributação do que no mesmo período de 2018. Parte dessa economia se deve a entrada de créditos tributários referentes a prejuízos em algumas operações, registrados no ano anterior e, outra parte, deve-se à redução da alíquota a partir de janeiro de 2019.
Com relação aos postos de trabalho nos bancos o saldo foi positivo. O Itaú abriu 361 novos postos nos últimos doze meses , porém, no trimestre houve fechamento de 597 postos. No Santander, o saldo foi negativo, com 623 postos fechados. O Bradesco apresentou saldo positivo em relação a março de 2018, em função de contratações para a área de negócios do banco. Foram abertos, 1.563 novos postos de trabalho. Já, no Banco do Brasil o saldo foi negativo em 1.414 postos.
Quanto à rede de agências, Santander apresentou saldo positivo, de 28 novas agências abertas. No Itaú, por sua vez, foram fechadas 60 agências físicas e abertas 35 agências digitais, as quais já somam 195 unidades. No Bradesco, o saldo foi negativo em 114 unidades. E, por fim, o Banco do Brasil fechou 31 agências no período.
As apostas e os investimentos dos bancos seguem no sentido da priorização pelo atendimento digital. Agências digitais, agências-café (com outros espaços e serviços no mesmo ambiente do atendimento bancário – o que nos traz grandes preocupações quanto a segurança desses ambientes; além da condição de trabalho/saúde desses bancários), aplicativos para smartphones, inteligência artificial, entre outros.
Roberto Carlos Vicentim, presidente do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região, denuncia que, ao mesmo tempo em que lucram em nível recorde, os grandes conglomerados bancários devem mais de R$ 120 bilhões de dívida com a Previdência Social, de acordo com levantamento realizado pelo Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz).
"Enquanto o governo tenta convencer o povo, por meio de frequentes declarações na mídia, sobre como a reforma da previdência salvará a economia do país, os bancos lucram cada vez mais, justificando o apoio a esse projeto que promoverá, na verdade, um ataque brutal a vida dos trabalhadores e da juventude. Com a reforma aprovada, os bancos lucrarão ainda mais com a venda de previdência privada, fazendo com que os trabalhadores paguem um preço altíssimo pela crise, tranquilizando os grandes capitalistas do mercado financeiro", alerta Vicentim.
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