17/10/2018
'Sociedade não percebeu o perigo da privatização dos bancos', diz Esther Dweck

Atingida diariamente com campanhas contra o serviço estatal, a sociedade ainda não percebeu o quanto pode ser nociva para a vida dos brasileiros a privatização dos bancos públicos. Essa é a avaliação da economista Esther Dweck, ex-secretária de Orçamento Federal e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Durante quarta edição do evento Diálogos Capitais, na capital fluminense, na terça-feira (16), Esther explica a importância da presença do Estado no combate à crise e na aceleração do desenvolvimento econômico.
De acordo com a economista, só com a presença do sistema bancário privado os consumidores e as grandes empresas sairão perdendo. "As famílias que estão com dívidas por causas dos juros altíssimos dos bancos privados podem renegociar com os bancos públicos, reduzindo esses juros. As famílias perdem com a privatização. As empresas também, porque estão pegando dinheiro lá fora, criando dívida em dólar", observa, lembrando que nesse caso tornam-se reféns da política americana e das influências do mercado cambial especulativo. Assim, se o real se desvaloriza, o endividamento aumenta, como alerta a professora da UFRJ.
Esther Dweck criticou as medidas do governo de Michel Temer. De acordo com ela, a atual conduta de ajuste fiscal, que limita os gastos públicos por 20 anos e pretende mudar a política previdenciária, é um "remédio que mata o paciente". "A solução não é a saída do Estado. Falaram que o crescimento econômico voltaria, mas até hoje estamos esperando", critica ela.
Promovido pela revista Carta Capital, com apoio da Federação Nbancos púcacional das Associações de Empregados da Caixa (Fenae), o evento debateu o futuro dos bancos públicos, em meio ao cenário político do país pré-segundo turno.
Com mediação da jornalista Cynara Menezes, participaram também o doutor em Ciência Política e coordenador do Laboratório de Políticas Públicas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), Emir Sader, e o presidente da Fenae (federação que reúne as associações de funcionários da Caixa), Jair Pedro Ferreira.
Ferreira afirma que os instrumentos públicos são os únicos possíveis para a redução de desigualdade social no Brasil, já que são os principais financiadores de políticas públicas. "Há estados onde os bancos públicos públicos fazem 100% dos financiamentos habitacionais, como o Amazonas", afirma ele, que também chama a atenção para o aumento de desemprego com as privatizações.
Esther acrescenta que um próximo governo precisa se impor, através da Caixa, do Banco do Brasil e do BNDES para reativar a economia. Desde 2016, com a política de austeridade de Temer, as investimentos públicos caíram, junto com a economia.
"Os estados e municípios se financiam com os bancos públicos, sejam para saneamento, crédito imobiliário ou mobilidade, e grande parte dos recursos vem da Caixa, por exemplo. O investimento rural é feito pelo Banco do Brasil, como outro exemplo. Houve um desmonte da capacidade de financiamento, passando pela mudança de regras do BNDES, colocando ele como um grande vilão", lamenta.
Risco de privatizações
Com a crise financeira e institucional, Esther Dweck alerta que os ataques aos bancos públicos aumentam sob o modelo neoliberal. Numa competição com as empresas privadas, a Caixa e o Banco do Brasil sofrem pressão para ser privatizadas. "Eles querem concentrar o mercado entre os privados para possibilitar a cartelização", diz.
Emir Sader lembra que o mercado vende como opção a privatização depois de enfraquecer o Estado. Alinhados ao setor privado durante o governo Temer, os bancos públicos abandonam concorrência e investimentos, como o corte de crédito, o fechamento de agências e o aumento das tarifas.
"Eles falam que 'quem não quiser defender esse Estado desfeito, vem para a esfera privada', o que é uma tentação. Porém, a esfera deles não é privada, mas mercantil. Quando privatizaram o Banerj e Banespa, porque não queria fazer políticas sociais, eles não colocaram as ações nas mãos dos trabalhadores, mas deram ao mercado. Eles transformam o direito em mercadoria", conta o sociólogo.
Esther também rebate o argumento de defensores do controle do Estado pelo mercado, de que, com a retração do Estado, os bancos privados podem entrar nesses espaços com mais competência. Segundo ela, enquanto a economia brasileira crescia, parte da riqueza estava nos títulos privados, mas quando afundou, a maior parte da riqueza financeira foi para a dívida pública. "Ou seja, ela vai para a esfera financeira e não sai de lá. Quando você tira os bancos públicos, a economia enfraquece", explica.
Durante quarta edição do evento Diálogos Capitais, na capital fluminense, na terça-feira (16), Esther explica a importância da presença do Estado no combate à crise e na aceleração do desenvolvimento econômico.
De acordo com a economista, só com a presença do sistema bancário privado os consumidores e as grandes empresas sairão perdendo. "As famílias que estão com dívidas por causas dos juros altíssimos dos bancos privados podem renegociar com os bancos públicos, reduzindo esses juros. As famílias perdem com a privatização. As empresas também, porque estão pegando dinheiro lá fora, criando dívida em dólar", observa, lembrando que nesse caso tornam-se reféns da política americana e das influências do mercado cambial especulativo. Assim, se o real se desvaloriza, o endividamento aumenta, como alerta a professora da UFRJ.
Esther Dweck criticou as medidas do governo de Michel Temer. De acordo com ela, a atual conduta de ajuste fiscal, que limita os gastos públicos por 20 anos e pretende mudar a política previdenciária, é um "remédio que mata o paciente". "A solução não é a saída do Estado. Falaram que o crescimento econômico voltaria, mas até hoje estamos esperando", critica ela.
Promovido pela revista Carta Capital, com apoio da Federação Nbancos púcacional das Associações de Empregados da Caixa (Fenae), o evento debateu o futuro dos bancos públicos, em meio ao cenário político do país pré-segundo turno.
Com mediação da jornalista Cynara Menezes, participaram também o doutor em Ciência Política e coordenador do Laboratório de Políticas Públicas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), Emir Sader, e o presidente da Fenae (federação que reúne as associações de funcionários da Caixa), Jair Pedro Ferreira.
Ferreira afirma que os instrumentos públicos são os únicos possíveis para a redução de desigualdade social no Brasil, já que são os principais financiadores de políticas públicas. "Há estados onde os bancos públicos públicos fazem 100% dos financiamentos habitacionais, como o Amazonas", afirma ele, que também chama a atenção para o aumento de desemprego com as privatizações.
Esther acrescenta que um próximo governo precisa se impor, através da Caixa, do Banco do Brasil e do BNDES para reativar a economia. Desde 2016, com a política de austeridade de Temer, as investimentos públicos caíram, junto com a economia.
"Os estados e municípios se financiam com os bancos públicos, sejam para saneamento, crédito imobiliário ou mobilidade, e grande parte dos recursos vem da Caixa, por exemplo. O investimento rural é feito pelo Banco do Brasil, como outro exemplo. Houve um desmonte da capacidade de financiamento, passando pela mudança de regras do BNDES, colocando ele como um grande vilão", lamenta.
Risco de privatizações
Com a crise financeira e institucional, Esther Dweck alerta que os ataques aos bancos públicos aumentam sob o modelo neoliberal. Numa competição com as empresas privadas, a Caixa e o Banco do Brasil sofrem pressão para ser privatizadas. "Eles querem concentrar o mercado entre os privados para possibilitar a cartelização", diz.
Emir Sader lembra que o mercado vende como opção a privatização depois de enfraquecer o Estado. Alinhados ao setor privado durante o governo Temer, os bancos públicos abandonam concorrência e investimentos, como o corte de crédito, o fechamento de agências e o aumento das tarifas.
"Eles falam que 'quem não quiser defender esse Estado desfeito, vem para a esfera privada', o que é uma tentação. Porém, a esfera deles não é privada, mas mercantil. Quando privatizaram o Banerj e Banespa, porque não queria fazer políticas sociais, eles não colocaram as ações nas mãos dos trabalhadores, mas deram ao mercado. Eles transformam o direito em mercadoria", conta o sociólogo.
Esther também rebate o argumento de defensores do controle do Estado pelo mercado, de que, com a retração do Estado, os bancos privados podem entrar nesses espaços com mais competência. Segundo ela, enquanto a economia brasileira crescia, parte da riqueza estava nos títulos privados, mas quando afundou, a maior parte da riqueza financeira foi para a dívida pública. "Ou seja, ela vai para a esfera financeira e não sai de lá. Quando você tira os bancos públicos, a economia enfraquece", explica.
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