Itaú é condenado a pagar RS 237 milhões ao plano I da FUNBEP
Em julgamento realizado no dia 30 de outubro, a 7ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Paraná condenou, por unanimidade, o Itaú a pagar R$ 237 milhões ao Plano de Benefícios I da FUNBEP.
O plano é patrocinado pelo Itaú como sucessor do Banco do Estado do Paraná (Banestado), privatizado em 2000.
A ação foi proposta em 2002 pela Associação dos Funcionários Aposentados do Banestado (AFAB) e conduzida pelo advogado do Escritório de Direito Social, Ricardo Só de Castro, que também é responsável pela assessoria jurídica da Anapar. O advogado comenta que "esta decisão representa uma reafirmação dos direitos sociais sobre os interesses meramente econômicos que pautam as condutas dos patrocinadores e da PREVIC".
Antes da privatização, o patrocinador Banestado reconheceu déficit técnico do Plano de Benefícios I (BD) do FUNBEP, no valor de R$ 237 milhões. O banco assumiu que a cobertura deste valor era de sua responsabilidade exclusiva, por força de artigos no regulamento que impunham ao patrocinador o ônus por qualquer desequilíbrio no plano de benefícios.
Este valor foi considerado na precificação do Banestado e deduzido do valor para a venda de seu controle acionário. O comprador Itaú, no entanto, após assumir o controle, deixou de cumprir o compromisso anteriormente assumido, utilizando-se de recursos do próprio plano para reequilibrar o plano de benefícios, repassando aos participantes a conta que era de sua responsabilidade.
A AAFAB ingressou com a ação para obrigar o patrocinador a cumprir suas obrigações através da contratação do financiamento da dívida, nos termos da Resolução CGPC nº 17/96, retroativamente a outubro de 2002.
A ação também requereu que o juízo determinasse a constituição de reserva de contingência com os excedentes financeiros eventualmente verificados nos exercícios posteriores, e a contabilização da dívida nos balanços da FUNBEP e do Banestado, ou seu sucessor, o Itaú.
A ação foi julgada improcedente em primeira instância, em razão do entendimento do juiz de que o plano de benefícios funcionava em regime de caixa e que não tendo havido falta de recursos para pagamento dos benefícios o pagamento da dívida era desnecessário.
A AFAB recorreu à segunda instância, e o recurso foi julgado procedente, condenando o Itaú ao pagamento integral da dívida. O desembargador relator do recurso afirmou que houve confissão de dívida pelo patrocinador e que o não pagamento desta por 12 anos representava quebra do princípio da boa-fé contratual com prejuízo aos participantes e assistidos, conduta que julgava inadmissível para uma instituição do porte do Itaú.
Ainda há possibilidade de interposição de recurso pelo Itaú, mas a decisão mostra que ele estava usando de um artifício condenável sobre todos os aspectos. Descontou a dívida do preço pago pelo banco privatizado e ainda repassava a conta aos participantes.
A Anapar apoia a luta dos participantes e comemora a decisão que fez justiça.
Fonte: Anapar
MAIS NOTÍCIAS
- Caixa apresenta proposta final para o Saúde Caixa e negociações avançam em carreira e remuneração variável
- Banco do Brasil apresenta proposta para renovação do ACT específico
- Categoria garante aumento real, mantém direitos e alcança novas conquistas; Proposta será submetida às assembleias
- 28 de agosto marca trajetória de luta e conquistas dos bancários
- Comando Nacional derrota propostas de arrocho salarial
- Banco do Brasil apresenta avanços em negociação, mas funcionalismo cobra propostas financeiras
- Caixa lucra R$ 7,4 bilhões no semestre e movimento sindical cobra valorização dos empregados
- Caixa promete apresentar nova proposta para o Saúde Caixa nesta sexta-feira (28)
- Sindicato celebra bancários com sorteio de prêmios e reforça mobilização na Campanha Nacional
- Campanha Nacional: Sem aumento real não dá, Fenaban!
- Caixa não apresenta nova proposta para o Saúde Caixa
- Negociação com a Caixa: Saúde Caixa, carreira, condições de trabalho e contratações estão no centro da Campanha; veja resumo até aqui
- Negociação do Banco do Brasil segue sem avanço nas principais reivindicações
- Sete mesas, muitas cobranças e poucas respostas: relembre a negociação com o BB
- Banqueiros propõem reajuste de 62% da inflação, um dos piores de 2026. Comando rejeitou na mesa