27/10/2026
Bradesco lucra R$ 20,9 bilhões e fecha 3,2 mil postos de trabalho bancário em um ano
O Bradesco lucrou R$ 20,970 bilhões nos primeiros nove meses de 2026, um crescimento de 15,6% em relação ao mesmo período de 2025. Mesmo com o resultado bilionário, o banco fechou 3.200 postos de trabalho bancário em 12 meses. Apenas no terceiro trimestre, foram eliminados 1.002 postos ocupados por bancários.
Os números escancaram uma contradição: enquanto o banco amplia seus resultados financeiros e sua base de clientes, reduz o número de trabalhadores responsáveis pelo atendimento e pelo funcionamento dos serviços. Para a coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Bradesco, Erica de Oliveira, a política de cortes precisa ser enfrentada.
“É inadmissível que um banco que lucra quase R$ 21 bilhões em nove meses continue fechando milhares de postos de trabalho. O Bradesco ganha cada vez mais, mas os trabalhadores pagam a conta com a sobrecarga, a pressão por metas e a insegurança sobre seus empregos. Não existe justificativa para tratar a eliminação de postos de trabalho como se fosse apenas mais um indicador de gestão. Estamos falando de pessoas, famílias e direitos”, critica Erica.
O lucro líquido recorrente do Bradesco, que desconsidera os itens extraordinários do período, chegou a R$ 7,11 bilhões no terceiro trimestre, alta de 0,8% em relação ao trimestre anterior. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) alcançou 15,8% no acumulado de 2026, com crescimento de 1,2 ponto percentual em 12 meses.
Mais clientes, menos trabalhadores e agências
A reestruturação do Bradesco não se limita aos empregos. Em 12 meses, o banco fechou 318 agências e 550 postos de atendimento, entre PA (Postos de Atendimento) e PAE (Postos de Atendimento Eletrônico), e abriu 16 unidades de negócio. Ao final de setembro, mantinha 1.741 agências, 1.428 postos de atendimento e 723 unidades de negócio.
Ao mesmo tempo, a base de clientes cresceu em 300 mil pessoas no terceiro trimestre, chegando a 110,7 milhões.
Para a COE Bradesco, os números reforçam a preocupação com os efeitos dos cortes, tanto para os funcionários que permanecem na instituição, quanto para a população que depende dos serviços bancários presenciais.
“É uma lógica perversa: o banco amplia sua carteira de clientes, movimenta mais de R$ 1 trilhão em crédito e, em vez de fortalecer suas equipes, fecha postos de trabalho e unidades de atendimento. Quem fica precisa dar conta de uma demanda cada vez maior, enquanto clientes enfrentam dificuldades para conseguir atendimento. A tecnologia pode e deve melhorar os serviços, mas não pode servir de justificativa para descartar trabalhadores e precarizar o atendimento”, afirma Erica.
A carteira de crédito expandida do Bradesco atingiu R$ 1,150 trilhão em setembro, crescimento de 11,1% em 12 meses. O saldo das operações com pessoas físicas chegou a R$ 484,9 bilhões, alta de 7,4% no período, enquanto a carteira de pessoas jurídicas alcançou R$ 664,7 bilhões, avanço de 14,1%.
Os resultados mostram a expansão das operações do banco, mas essa evolução não tem impedido a redução do quadro de pessoal. Ao final do terceiro trimestre, a holding Bradesco contava com 79.050 funcionários, dos quais 66.952 eram bancários.
Tarifas bilionárias e corte de empregos
Outro dado que evidencia a dimensão dos resultados do banco é o volume de receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias. Nos primeiros nove meses de 2026, essas receitas somaram R$ 23,8 bilhões, alta de 3,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.
As despesas com pessoal, incluindo o pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), totalizaram R$ 20,3 bilhões, crescimento de 3,8%. As receitas secundárias do banco cobriram 117,1% dessas despesas no período.
Mesmo diante dessa capacidade de geração de receitas, o Bradesco segue reduzindo sua estrutura de atendimento e seu quadro de funcionários. Para a representação dos trabalhadores, a política de cortes não pode ser analisada apenas sob a perspectiva da redução de custos, ignorando seus impactos sociais e trabalhistas.
“É contraditório que o Bradesco apresente resultados financeiros tão robustos enquanto promove cortes de empregos e amplia a pressão sobre os trabalhadores que permanecem nas agências. A busca por rentabilidade não pode justificar a precarização das relações de trabalho nem comprometer a qualidade dos serviços prestados à sociedade. Defendemos que a instituição assuma sua responsabilidade social, valorize seus profissionais e invista na manutenção dos postos de trabalho e em melhores condições de atendimento”, ressalta o diretor do Sindicato dos Bancários de Catanduva e região, Luiz Eduardo Campolungo.
Inadimplência e provisões aumentam
No terceiro trimestre, a inadimplência superior a 90 dias chegou a 4,6%, alta de 0,5 ponto percentual em 12 meses. As despesas com provisões para perdas esperadas com crédito somaram R$ 32,2 bilhões, crescimento de 23,8% no período.
Segundo o banco, o aumento das provisões está relacionado, principalmente, à maior concentração de vencimentos no crédito rural e em operações massificadas de pessoas físicas. A instituição também atribuiu parte da pressão sobre os indicadores de inadimplência ao aumento dos atrasos entre micro, pequenas e médias empresas e a atrasos sazonais em operações do Banco John Deere.
Embora esses fatores componham o cenário financeiro da instituição, eles não alteram o dado central do balanço: o Bradesco registrou crescimento expressivo do lucro em 2026 e, simultaneamente, aprofundou a redução dos postos de trabalho bancário.
A COE Bradesco cobra que o banco reveja sua política de cortes, preserve empregos e mantenha uma estrutura compatível com o tamanho de sua operação e com as necessidades de seus clientes.
“Não vamos naturalizar o fechamento de postos de trabalho como se fosse inevitável. Estamos falando de uma escolha do banco, que precisa ser questionada. O Bradesco tem condições de valorizar seus funcionários, preservar empregos e oferecer atendimento digno. Os trabalhadores não podem continuar pagando o preço de uma estratégia que prioriza os resultados financeiros em detrimento das pessoas”, conclui Erica de Oliveira.
Os números escancaram uma contradição: enquanto o banco amplia seus resultados financeiros e sua base de clientes, reduz o número de trabalhadores responsáveis pelo atendimento e pelo funcionamento dos serviços. Para a coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Bradesco, Erica de Oliveira, a política de cortes precisa ser enfrentada.
“É inadmissível que um banco que lucra quase R$ 21 bilhões em nove meses continue fechando milhares de postos de trabalho. O Bradesco ganha cada vez mais, mas os trabalhadores pagam a conta com a sobrecarga, a pressão por metas e a insegurança sobre seus empregos. Não existe justificativa para tratar a eliminação de postos de trabalho como se fosse apenas mais um indicador de gestão. Estamos falando de pessoas, famílias e direitos”, critica Erica.
O lucro líquido recorrente do Bradesco, que desconsidera os itens extraordinários do período, chegou a R$ 7,11 bilhões no terceiro trimestre, alta de 0,8% em relação ao trimestre anterior. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) alcançou 15,8% no acumulado de 2026, com crescimento de 1,2 ponto percentual em 12 meses.
Mais clientes, menos trabalhadores e agências
A reestruturação do Bradesco não se limita aos empregos. Em 12 meses, o banco fechou 318 agências e 550 postos de atendimento, entre PA (Postos de Atendimento) e PAE (Postos de Atendimento Eletrônico), e abriu 16 unidades de negócio. Ao final de setembro, mantinha 1.741 agências, 1.428 postos de atendimento e 723 unidades de negócio.
Ao mesmo tempo, a base de clientes cresceu em 300 mil pessoas no terceiro trimestre, chegando a 110,7 milhões.
Para a COE Bradesco, os números reforçam a preocupação com os efeitos dos cortes, tanto para os funcionários que permanecem na instituição, quanto para a população que depende dos serviços bancários presenciais.
“É uma lógica perversa: o banco amplia sua carteira de clientes, movimenta mais de R$ 1 trilhão em crédito e, em vez de fortalecer suas equipes, fecha postos de trabalho e unidades de atendimento. Quem fica precisa dar conta de uma demanda cada vez maior, enquanto clientes enfrentam dificuldades para conseguir atendimento. A tecnologia pode e deve melhorar os serviços, mas não pode servir de justificativa para descartar trabalhadores e precarizar o atendimento”, afirma Erica.
A carteira de crédito expandida do Bradesco atingiu R$ 1,150 trilhão em setembro, crescimento de 11,1% em 12 meses. O saldo das operações com pessoas físicas chegou a R$ 484,9 bilhões, alta de 7,4% no período, enquanto a carteira de pessoas jurídicas alcançou R$ 664,7 bilhões, avanço de 14,1%.
Os resultados mostram a expansão das operações do banco, mas essa evolução não tem impedido a redução do quadro de pessoal. Ao final do terceiro trimestre, a holding Bradesco contava com 79.050 funcionários, dos quais 66.952 eram bancários.
Tarifas bilionárias e corte de empregos
Outro dado que evidencia a dimensão dos resultados do banco é o volume de receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias. Nos primeiros nove meses de 2026, essas receitas somaram R$ 23,8 bilhões, alta de 3,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.
As despesas com pessoal, incluindo o pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), totalizaram R$ 20,3 bilhões, crescimento de 3,8%. As receitas secundárias do banco cobriram 117,1% dessas despesas no período.
Mesmo diante dessa capacidade de geração de receitas, o Bradesco segue reduzindo sua estrutura de atendimento e seu quadro de funcionários. Para a representação dos trabalhadores, a política de cortes não pode ser analisada apenas sob a perspectiva da redução de custos, ignorando seus impactos sociais e trabalhistas.
“É contraditório que o Bradesco apresente resultados financeiros tão robustos enquanto promove cortes de empregos e amplia a pressão sobre os trabalhadores que permanecem nas agências. A busca por rentabilidade não pode justificar a precarização das relações de trabalho nem comprometer a qualidade dos serviços prestados à sociedade. Defendemos que a instituição assuma sua responsabilidade social, valorize seus profissionais e invista na manutenção dos postos de trabalho e em melhores condições de atendimento”, ressalta o diretor do Sindicato dos Bancários de Catanduva e região, Luiz Eduardo Campolungo.
Inadimplência e provisões aumentam
No terceiro trimestre, a inadimplência superior a 90 dias chegou a 4,6%, alta de 0,5 ponto percentual em 12 meses. As despesas com provisões para perdas esperadas com crédito somaram R$ 32,2 bilhões, crescimento de 23,8% no período.
Segundo o banco, o aumento das provisões está relacionado, principalmente, à maior concentração de vencimentos no crédito rural e em operações massificadas de pessoas físicas. A instituição também atribuiu parte da pressão sobre os indicadores de inadimplência ao aumento dos atrasos entre micro, pequenas e médias empresas e a atrasos sazonais em operações do Banco John Deere.
Embora esses fatores componham o cenário financeiro da instituição, eles não alteram o dado central do balanço: o Bradesco registrou crescimento expressivo do lucro em 2026 e, simultaneamente, aprofundou a redução dos postos de trabalho bancário.
A COE Bradesco cobra que o banco reveja sua política de cortes, preserve empregos e mantenha uma estrutura compatível com o tamanho de sua operação e com as necessidades de seus clientes.
“Não vamos naturalizar o fechamento de postos de trabalho como se fosse inevitável. Estamos falando de uma escolha do banco, que precisa ser questionada. O Bradesco tem condições de valorizar seus funcionários, preservar empregos e oferecer atendimento digno. Os trabalhadores não podem continuar pagando o preço de uma estratégia que prioriza os resultados financeiros em detrimento das pessoas”, conclui Erica de Oliveira.
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