27/06/2024
Somente 55% das cidades têm agências bancárias no Brasil
Apenas 55,5% dos 5.565 municípios brasileiros possuem cobertura de agências bancárias. Com isto, 2.476 municípios, ou 44,5% do total, não contam com este serviço. Esta realidade deixa 18 milhões de brasileiros sem atendimento bancário em suas cidades. Os dados são do Banco Central do Brasil e foram compilados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
O processo de fechamento de agências bancárias foi acentuado desde a pandemia da Covid. Desde 2019 foram extintas 3.216 agências bancárias.
A redução do número de agências veio acompanhada também da eliminação de postos de trabalho. Somente nos últimos 12 meses encerrados em abril de 2024, setor bancário eliminou 3.325 postos de trabalho. O dado é do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
Em contrapartida, no mercado de trabalho formal no Brasil, nos últimos 12 meses foram criadas 1,7 milhão de vagas formais no país. Somente em 2024, até abril, o número de vagas criadas ultrapassa 958 mil postos de trabalho. Os dados são do Caged.
"O que parece ter por objetivo facilitar a vida dos usuários é na verdade o uso da tecnologia pelos bancos para fechar mais agências físicas, sobrecarregando os funcionários que continuam no atendimento e desrespeitando a população. O saldo dessa política são clientes insatisfeitos e o aumento do adoecimento dos trabalhadores, submetidos a condições de trabalho cada vez mais precárias, marcadas por metas desumanas e jornadas exaustivas. Os bancos economizaram muito com a informatização do atendimento e com a transferência de uma série de serviços para terceiros. E lucram como nunca", denuncia o presidente do Sindicato dos Bancários de Catanduva e região, Roberto Vicentim.
Nesse processo de aceleração digital do setor financeiro, caixas de bancos e trabalhadores com funções relacionadas foram os que mais perderam postos de trabalho, de acordo com dados do Dieese.
"Outra questão relevante é que as novas tecnologias do setor financeiro não atingem a população mais pobre e aquela que vive longe dos centros urbanos, gerando ainda mais exclusão financeira. Ainda que muitas pessoas tenham aprendido a usar o celular para fazer suas movimentações bancárias, uma grande parcela ainda não está adaptada e requer auxílio para fazer uso dos sistemas digitais. Sabemos da importância da tecnologia para o presente e o futuro em todos os setores. Mas não podemos esquecer que o mundo é movido por relações humanas e assim deve ser. A tecnologia tem de funcionar para o bem da sociedade e não para enriquecer somente alguns setores e aumentar ainda mais o desemprego e a concentração de renda”, acrescenta Vicentim.
Na quarta-feira (26) ocorreu a primeira rodada de negociação da Campanha Nacional dos Bancários 2024, visando a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho e dos acordos específicos de bancos, onde estão descritos todos os direitos dos trabalhadores de bancos. O primeiro tema discutido entre o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) foi a defesa dos empregos.
“A eliminação de agências e empregos bancários tem causado sobrecarga nos trabalhadores e precarizado o atendimento à sociedade. Os bancos são concessões públicas e têm o dever de oferecer atendimento, bem como ampliar a contratação para prestar um atendimento decente à população da qual obtém tantos ganhos por meio da cobrança de juros e tarifas. O movimento sindical bancário seguirá cobrando a abertura de agências e de vagas de trabalho”, reforça Neiva Ribeiro, uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários.
"Precisamos voltar a pensar num sistema financeiro que promova crédito sustentável e barato, que inclua as pessoas que precisam ser bancarizadas, que atenda as peculiaridades regionais. Ou teremos nos próximos anos um sistema financeiro cada vez mais excludente, concentrador de renda e que funciona cada vez mais como um obstáculo ao pleno crescimento econômico e social do Brasil", conclui o presidente do Sindicato.
O processo de fechamento de agências bancárias foi acentuado desde a pandemia da Covid. Desde 2019 foram extintas 3.216 agências bancárias.
A redução do número de agências veio acompanhada também da eliminação de postos de trabalho. Somente nos últimos 12 meses encerrados em abril de 2024, setor bancário eliminou 3.325 postos de trabalho. O dado é do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
Em contrapartida, no mercado de trabalho formal no Brasil, nos últimos 12 meses foram criadas 1,7 milhão de vagas formais no país. Somente em 2024, até abril, o número de vagas criadas ultrapassa 958 mil postos de trabalho. Os dados são do Caged.
"O que parece ter por objetivo facilitar a vida dos usuários é na verdade o uso da tecnologia pelos bancos para fechar mais agências físicas, sobrecarregando os funcionários que continuam no atendimento e desrespeitando a população. O saldo dessa política são clientes insatisfeitos e o aumento do adoecimento dos trabalhadores, submetidos a condições de trabalho cada vez mais precárias, marcadas por metas desumanas e jornadas exaustivas. Os bancos economizaram muito com a informatização do atendimento e com a transferência de uma série de serviços para terceiros. E lucram como nunca", denuncia o presidente do Sindicato dos Bancários de Catanduva e região, Roberto Vicentim.
Nesse processo de aceleração digital do setor financeiro, caixas de bancos e trabalhadores com funções relacionadas foram os que mais perderam postos de trabalho, de acordo com dados do Dieese.
"Outra questão relevante é que as novas tecnologias do setor financeiro não atingem a população mais pobre e aquela que vive longe dos centros urbanos, gerando ainda mais exclusão financeira. Ainda que muitas pessoas tenham aprendido a usar o celular para fazer suas movimentações bancárias, uma grande parcela ainda não está adaptada e requer auxílio para fazer uso dos sistemas digitais. Sabemos da importância da tecnologia para o presente e o futuro em todos os setores. Mas não podemos esquecer que o mundo é movido por relações humanas e assim deve ser. A tecnologia tem de funcionar para o bem da sociedade e não para enriquecer somente alguns setores e aumentar ainda mais o desemprego e a concentração de renda”, acrescenta Vicentim.
Na quarta-feira (26) ocorreu a primeira rodada de negociação da Campanha Nacional dos Bancários 2024, visando a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho e dos acordos específicos de bancos, onde estão descritos todos os direitos dos trabalhadores de bancos. O primeiro tema discutido entre o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) foi a defesa dos empregos.
“A eliminação de agências e empregos bancários tem causado sobrecarga nos trabalhadores e precarizado o atendimento à sociedade. Os bancos são concessões públicas e têm o dever de oferecer atendimento, bem como ampliar a contratação para prestar um atendimento decente à população da qual obtém tantos ganhos por meio da cobrança de juros e tarifas. O movimento sindical bancário seguirá cobrando a abertura de agências e de vagas de trabalho”, reforça Neiva Ribeiro, uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários.
"Precisamos voltar a pensar num sistema financeiro que promova crédito sustentável e barato, que inclua as pessoas que precisam ser bancarizadas, que atenda as peculiaridades regionais. Ou teremos nos próximos anos um sistema financeiro cada vez mais excludente, concentrador de renda e que funciona cada vez mais como um obstáculo ao pleno crescimento econômico e social do Brasil", conclui o presidente do Sindicato.
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