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 15/04/2019

Capitalização da Previdência é dinheiro do trabalhador para os bancos especularem


Vagner: como o trabalhador conseguirá fazer uma poupança se falta dinheiro no final do mês?


Se o sistema de capitalização para aposentadorias for aprovado, como desejam o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e o ministro da Economia, Paulo Guedes, os trabalhadores vão enfrentar a velhice na mais completa miséria, avalia o presidente da CUT, Vagner Freitas. Ele considera a medida como uma das mais perversas entre as previstas no projeto de "reforma" da Previdência enviado ao Congresso.

“A capitalização significa acabar com o atual modelo solidário e de repartição, que garante aos brasileiros o direito à aposentadoria no final da vida, para jogar o futuro dos trabalhadores nas mãos dos bancos. Isso não podemos permitir”, diz Vagner, em reportagem da jornalista Tatiana Melim, publicada no portal da central.

O modelo de capitalização funciona como uma espécie de poupança pessoal de cada trabalhador, que tem de depositar todos os meses um percentual do seu salário em uma conta individual para conseguir se aposentar. A conta é administrada por bancos, que cobram taxas de administração e ainda podem utilizar parte do dinheiro para especular no mercado financeiro.

No Brasil, o atual modelo de Previdência é chamado de repartição, ou seja, quem está no mercado de trabalho contribui mensalmente ao INSS e garante o pagamento dos benefícios de quem já se aposentou. E todos contribuem: trabalhador, patrão e governo. Já no modelo de capitalização não existe a contribuição do empregador e nem a do Estado.

Para o presidente da CUT, se já não é fácil se aposentar com as regras atuais, que garantem a contribuição do trabalhador, do governo e da empresa, será praticamente impossível conseguir fazer uma poupança sozinho, ainda mais com as regras perversas do sistema financeiro que usa o dinheiro do trabalhador para especular.

“Imagina o trabalhador que precisa se virar em um mercado de trabalho informal e desregulamentado pela reforma Trabalhista, com empregos precários e longos períodos de desemprego. Como ele conseguirá fazer uma poupança se falta dinheiro no final do mês?”, questiona Vagner.

O secretário geral do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região, Júlio César Trigo, reforça que as propostas sinalizadas pela equipe econômica do governo, como o aumento da idade mínima e a capitalização da Previdência, praticamente acabam com o direito à aposentadoria de milhões de brasileiros e brasileiras. E, por isso, a resistência dos trabalhadores é o que definirá a luta de um direito fundamental aos brasileiros. 

"Nós trabalhadores não podemos deixar que nossos direitos tão duramente conquistados sejam retirados, por isso temos que cobrar também os parlamentares, para que eles saibam que quem for contra o trabalhador não terá mais chance. O povo tem esse poder em suas mãos e precisa usá-lo para combater esta injustiça contra o patrimônio tão importante que é a Previdência Social", enfatiza o dirigente.



Fonte: Rede Brasil Atual, com Fetec-CUT e edição de Seeb Catanduva
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